Artigo de Opinião publicado na última edição do jornal "Correio de Albergaria.

Sobre a campanha


Por José Manuel Alho


As campanhas estão ao rubro. Candidatos e suas trupes de acólitos desdobram-se em ações várias para fidelizar os votos prováveis e cativar os indecisos, perigosamente entregues ao limbo da dúvida.


Há tempo e espaço para tudo. De algum modo, os eleitores não estarão a rever-se no que de essencial lhes tem sido disponibilizado. Porventura, estariam à espera de mais. De melhor. Com a usual bondade, os portugueses lá se vão entretendo e rindo com o multifacetado leque de opções oferecido por partidos políticos e movimentos de independentes. Daí que um dos exemplos que melhor expressará a tolerância lusitana se possa condensar na página “Tesourinhos das Autárquicas 2013” alojada na rede social Facebook.


Por cá, entre as decisões do Tribunal Constitucional e atos de vandalismo em outdoors de algumas candidaturas, a campanha parece entrar na fase decisiva. O sufrágio ditará o fim das dúvidas ou a confirmação de surpresas. Nota para o debate promovido pela Associação dos Amigos do Jornal de Angeja, com os candidatos de todos os partidos concorrentes às presentes eleições autárquicas. Infelizmente, uma iniciativa pouco replicada, que acentuou o défice de confronto político centrado nas pessoas e nos assuntos que realmente afetam as suas vidas.


Na sequência até da última primeira página deste jornal, foi lamentável a forma como alguns foram lestos a manipular factos, truncando assuntos, insinuando motivações cavernosas, com recurso a um estilo de humor que empobrece e diminui quem, através do escárnio grosseiro, presume atingir os seus fins. A atual contenda eleitoral tem, para o mal geral, evidenciado uma forma depreciativa de (se) tratar a Política. Em vez de se estimular a discussão de ideias e a apresentação de alternativas, numa atmosfera de tolerância e urbanidade, assomaram-se estratégias assentes na perseguição, hostilização e exclusão dos que – no entender de muitos – ousarão pensar diversamente da vontade de uma prole dominante. Absolutamente intolerável!


Parece faltar uma cultura de abertura que consinta a divergência. Na verdade, a Política é uma atividade extraordinariamente nobre porque quem a exerce assume responsabilidades só compatíveis com grandes qualidades morais e de competência. Daí que, apesar de um punhado de tropelias e dislates, seja de enaltecer a disponibilidade e a entrega de todos quantos aceitaram dar o seu nome (e o seu rosto!) a este importante exercício de cidadania em prol da coletividade.


Por fim, uma referência para a decisão da CNE que deliberou impor um tratamento noticioso igual para todas as candidaturas. Soubemos assim que a campanha eleitoral não passaria pelas televisões. Trata-se de uma deliberação que muito fica a dever à razão, à sensatez e ao bom senso. Não é viável promover debates com uma dúzia de candidatos. Estaríamos perante uma espécie de igualdade postiça. Em bom rigor, este entendimento só favorecerá os partidos com mais e melhores meios para campanhas populistas e, obviamente, os presidentes de Câmara em exercício.


José Manuel Alho


 

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