Texto de Opinião - Aniversário do jornal "Correio de Albergaria".

Há um ano…



Por José Manuel Alho


Há um ano aceitei integrar o lote de colaboradores desta III Série do jornal “Correio de Albergaria” (CA), fundado em 1896. Um repto que me sensibilizou por não se revestir de outras motivações que não se confinasse ao exercício das liberdades de pensamento e de expressão.
Na verdade, incorporar um projeto de imprensa local, livre dos anacronismos típicos da subsidiodependência e das tentaculares influências dos caciquismos atávicos que nunca esmoreceram, é um ato de dedicação, sacrifício e doação pessoal que importa replicar.
Durante este tempo, testemunhei o arrojo e o comprometimento de quem assumiu ser possível, em Albergaria, erguer um projeto de comunicação social para reforço de um conceito (rico) de cidadania, cultivando a proximidade, estimulando e conservando vínculos identitários, culturais e históricos da maior relevância coletiva.
Um jornal local só terá sucesso se souber cultivar a Língua Portuguesa, mormente a pensar na emigração, sabendo contornar o escasso investimento publicitário, os baixos índices de leitura e as naturais resistências à fidelização através da(s) assinatura(s). Para ter impacto na vida política, económica e social, mesmo que em concorrência desigual com as novas plataformas digitais, a missão só poderá centrar-se na busca corajosa e insaciável da informação impermeável às contaminações dos que cedo se habituaram ao imobilismo reverencial.
Com efeito, a informação passou a não depender exclusivamente do suporte de papel para circular. A partir do final da década de noventa, o número de leitores que surgem do jornal impresso para o acesso a jornais online tem crescido vertiginosamente. Impõe-se a questão: qual será o futuro do jornal impresso? Para a geração nascida nos anos 2000, os estudos asseguram que não escolherá o papel como a única forma de acomodar a informação. Atualmente, o jornal impresso ainda satisfaz quem tem mais de 25 anos de idade pelo que o futuro comportará desafios e exigências que até poderão favorecer, pela sua especificidade, a imprensa local e regional.
No entanto, muitos responsáveis por publicações similares à do CA têm apontado o dedo às autarquias deste país que utilizarão a publicidade institucional a seu bel-prazer, distribuindo indiscriminadamente os anúncios pelas publicações. Por isso, afiançam, as autarquias constituir-se-ão como grandes meios de pressão sobre o livre exercício do jornalismo. Neste particular, cumprirá notar que este jornal estará liberto desse tipo de suspeições ainda que se reconheça, com crescente premência, o imperativo de instituir e observar, com iniludível rigor, critérios mais claros na distribuição da publicidade abonada pelos poderes locais. Cumulativamente, o combate à diferenciação e à desigualdade no acesso às fontes de informação afigura-se de crucial importância para a erradicação de injustiças que apoucam o serviço disponibilizado às populações.
Em razão até das considerações acima partilhadas, o balanço só pode ser positivo porque recheado de conquistas até há pouco julgadas improváveis. E porque a conquistas nos referimos, nada melhor do que lembrar as sábias palavras de Baron de Montesquieu, que ajudarão a perspetivar o futuro deste periódico: "As conquistas são fáceis de alcançar, pois fazemo-las com todas as nossas forças; mas são difíceis de conservar, uma vez que apenas as mantemos com uma parte das nossas forças."



José Manuel Alho

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