Último artigo de Opinião publicado na imprensa local e regional.

Superioridade esmagadora


 



 


Por José Manuel Alho


António Loureiro é o novo Presidente da Câmara Municipal de Albergaria-a-Velha. Como ousei vaticinar em artigo de opinião logo a seguir às Autárquicas de 2009, confirmou-se como o nome que logrou interromper um ciclo de doze anos protagonizado por João Agostinho Pereira, que agora ameaçava prolongar-se com José Licínio Pimenta.


Uma vitória com maioria absoluta, alcançada com inegáveis méritos que, desde logo, começaram com a constituição das listas de candidatos onde somou pontos com o recrutamento de personalidades de inegável valia e a captação de numerosos independentes que só ajudaram à mobilização.





"No mais, António Loureiro acumula o mérito de ter enfrentado – e derrotado! – uma espantosa máquina eleitoral, ao nível do que de melhor se fez e conhece por esse país afora. Com uma monumental desigualdade de meios, ao novo Presidente da Câmara só restou enveredar pelo tradicional caminho do contacto direto com as populações onde foi igual a si mesmo: simples, humilde mas resoluto. Sem responder a provocações ou a outras derivas sobranceiras de quem nunca considerou sequer a hipótese de uma derrota, António Loureiro evidenciou, para avaliação do eleitorado, a argamassa de que é feito. De uma superioridade esmagadora.





A dupla Loureiro/Bismarck foi um trunfo. De estilo sóbrio mas determinado, transportaram para a contenda eleitoral a convicção e a visão integrada do que poderia ser uma Albergaria pensada com outros princípios e prioridades. Estão de parabéns. A mensagem passou.


No mais, António Loureiro acumula o mérito de ter enfrentado – e derrotado! – uma espantosa máquina eleitoral, ao nível do que de melhor se fez e conhece por esse país afora. Com uma monumental desigualdade de meios, ao novo Presidente da Câmara só restou enveredar pelo tradicional caminho do contacto direto com as populações onde foi igual a si mesmo: simples, humilde mas resoluto. Sem responder a provocações ou a outras derivas sobranceiras de quem nunca considerou sequer a hipótese de uma derrota, António Loureiro evidenciou, para avaliação do eleitorado, a argamassa de que é feito. De uma superioridade esmagadora.


Numa avaliação mais globalizante, o CDS-PP, mais do que manter a presidência de Ribeira de Fráguas, recupera a edilidade bem como as freguesias da Branca e de Albergaria e Valmaior com votações onde subjugou os mais diretos rivais sem apelo nem agravo. Carlos Coelho e Jorge Lemos assomaram-se igualmente como grandes vencedores da noite eleitoral. Recuperado o saudável equilíbrio com o PSD, inaugurou-se no passado dia 29 de setembro novo ciclo. Espera-se que o timoneiro ora eleito não sucumba à tentação nestas eleições derrotada de, quando chegado ao poder, hostilizar e excluir quem, mau grado o mérito das suas ideias e propostas, pensa diferentemente. O futuro não será fácil. Saber-se-á agora a real dimensão dos encargos e compromissos assumidos recentemente e impor-se-á dizer toda a verdade aos contribuintes albergarienses. Num certo sentido, a “festa” terá chegado ao fim.


Na oportunidade, e sempre que uns vencem, outros saem derrotados. João Agostinho Pereira (JAP), de novo candidato mas à Assembleia Municipal, arriscou o julgamento do eleitorado. Há que louvar-lhe a coragem mas o veredicto não deixa espaço à dúvida. Sai esgotado e desgastado por um estilo que empobreceu o confronto político e que a maioria das pessoas entendeu recusar liminarmente. Torres e Menezes, uma vez mais candidato à presidência mas da nova freguesia de Albergaria e Valmaior, aparentou não ter avaliado convenientemente as suas possibilidades. Por ter uma vida de prestígio numa área tão nobre quanto a defesa e promoção dos Direitos da Criança, não merecia sair com tão fraca votação. Por fim, José Licínio Pimenta. Contra ventos e marés, conseguiu ser indicado pelo seu partido para suceder a JAP. Teve à sua disposição a vantagem de estar no poder e de contar com uma enormidade surpreendente de meios nestes tempos de crise. E mesmo assim perdeu. O eleitorado não o viu como alternativa e também terá decidido pôr termo ao que representaria uma espécie de sucessão dinástica mal vista pela maioria. Contudo, na política, nunca ninguém está morto e enterrado.


Por último, uma referência para este jornal. O “Correio de Albergaria” (CA) trouxe para a discussão pública temas e factos e genuíno interesse coletivo. Tem enfrentado, com tolerância, as resistências de quem há muito se habituou à ausência de discussão e debate. Não se compreende a soberba de quem decidiu, pura e simplesmente, ignorar a sua existência. O anterior executivo camarário, ao desprezar o único órgão de comunicação social da terra, terá cometido um erro trágico que agora terá pago muito caro porque a implantação e o alcance do “CA” vão muito além do estimado por alguns. Contudo, não é caso para engrossar as filas às portas das farmácias do Concelho, nem tão pouco para preparar uma edição especial.


José Manuel Alho


 

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