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Fazer diferente. Fazer melhor
Por José Manuel Alho
O novo presidente da Câmara Municipal de Albergaria divulgou o teor dos despachos atinentes à organização e funcionamento da Câmara Municipal, incluindo a distribuição de funções pelos Vereadores. Três elementos a tempo inteiro (António Loureiro, Delfim Bismarck e Catarina Mendes) e Ana Silva apenas em regime de meio tempo. Para já, nenhuma novidade que mereça especial destaque.
Contudo, parece confirmar-se agora que a situação da edilidade será (bem) pior que o imaginado pelo novo elenco, evidência que, por exemplo, tornará inevitável a dolorosa racionalização do quadro de pessoal já que à Câmara Municipal só será permitido contratar estagiários. Como já aqui havia prognosticado, com modesto conhecimento do que terá sido a gestão cessante, a “festa” terá acabado. Seria insustentável - mesmo que fosse o candidato Licínio Pimenta a sair vencedor do prélio eleitoral de 29 de setembro - manter o volume de encargos e despesas pomposamente suportado com os nossos impostos. Daí que seja de crucial importância uma auditoria à gestão anterior, até porque importará dizer a verdade às pessoas que viveram iludidas com aparências sem correspondência com a realidade. A título de curiosidade, assoma-se a dúvida: será financeiramente avisado persistir no cumprimento
"(...) há espaço para melhorar e inovar. Estar mais próximo das escolas e dos profissionais que lhes dão vida. Falar com os docentes por vias mais informais e bem além das previstas pelo protocolo institucional. Escrutinar e monitorizar a aplicação das verbas concedidas para favorecer a ação dos professores do 1.º CEB e Educadores de Infância bem como a qualidade das aprendizagens das crianças, a que se deverá somar o apetrechamento tecnológico (...)"
do contrato de empreitada da obra de Regeneração Urbana da Alameda 5 de Outubro no valor de 1 785 839,54 euros, assinado na tarde de 21 de agosto, com a ROSAS – Construtores, S.A.? Sabendo-se que o contrato seguiu para fiscalização prévia do Tribunal de Contas, até onde foi a blindagem jurídica daquele acordo? No momento, não existirão outras prioridades?
Na Educação, de entre as várias matérias sobre as quais me debruçarei oportunamente, recai enorme expectativa. Se há mérito que deve ser assacado a João Agostinho Pereira é o da requalificação do parque escolar concelhio para o pré-escolar e 1.º Ciclo do Ensino Básico (CEB). Um investimento geracional que a todos motiva e prestigia. Correm para aí uns rumores, que pecam por precipitados e manifestamente ignóbeis, antecipando, nesta matéria, a repetição de tendências já longínquas que vaticinam o desinvestimento na Escola Pública local em favor de algumas derivas convenientes a interesses privados. Caberá a Catarina Mendes destrinçar o essencial do acessório: o que estiver bem, será para exponenciar e o que configurar uma perversa acumulação de vícios deverá ser exemplarmente expurgada.
Os últimos anos de ação do anterior executivo em dossiês educativos deixaram muito a desejar. Mais do que se confinar à (legítima) vaidade de inaugurar os equipamentos construídos, eventos que ajudavam a criar uma imagem porventura imaculada, o desempenho pautou-se pelo distanciamento a roçar a apatia. Deixando de lado o facto e o modo como a Câmara Municipal deixou de se assumir como entidade promotora das AEC (Atividades de Enriquecimento Curricular), recordo, entre muitos outros exemplos, a promessa de finalmente dotar as salas de aula da Escola Básica de Albergaria, onde funcionam turmas do 1.º CEB, com computadores deste século. Professores e alunos só dispõem de um computador, de mil e novecentos e troca o passo, por sala de aula. A promessa de entrega de uma quantidade simbólica foi feita mas… nem em tempo de eleições! Prioridades.
De igual modo, tem-se por provável a ponderação da viabilidade de subsistirem dois Agrupamentos de Escolas no município. A questão suscitada será apreciada a médio prazo pelo que cumprirá saber qual a posição camarária.
Em resumo, há espaço para melhorar e inovar. Estar mais próximo das escolas e dos profissionais que lhes dão vida. Falar com os docentes por vias mais informais e bem além das previstas pelo protocolo institucional. Escrutinar e monitorizar a aplicação das verbas concedidas para favorecer a ação dos professores do 1.º CEB e Educadores de Infância bem como a qualidade das aprendizagens das crianças, a que se deverá somar o apetrechamento tecnológico, podem ajudar António Loureiro e Catarina Mendes a fazer diferente e, acima de tudo, a fazer melhor.
José Manuel Alho
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