Artigo de Opinião publicado na última edição do jornal "Correio de Albergaria".

A internet nas escolas do 1º Ciclo



Por José Manuel Alho



Há bem pouco tempo referi neste jornal o imperativo de a Câmara Municipal de Albergaria dotar as escolas do 1.º Ciclo do Ensino Básico (CEB) – anteriormente designadas de escolas primárias – de equipamentos informáticos atualizados e em quantidade suficiente para viabilizar novas abordagens metodológicas no ensino oferecido às nossas crianças. Vinha isso a propósito de a EB de Albergaria só possuir, no que ao 1.º CEB diz respeito, 1 computador por sala de aula, do século passado, sem o necessário complemento dos quadros interativos. Um facto que continua a envergonhar a nossa terra.

Afigura-se incontroverso que os computadores fazem e são hoje parte integrante da vida diária das gerações mais novas, quer em casa quer na escola. Constatada esta atração e verificadas as potencialidades de tão inovadora parceria, resta otimizar o computador e utilizá-lo para aproximar as aprendizagens dentro e fora da escola, ou seja, para estabelecer a ponte entre a casa e a escola e entre a escola e o trabalho.

Contudo, conclui-se que nem sempre os computadores são integrados na sala de aula da forma mais consequente. A Internet pode, se for bem aproveitada, estimular e melhorar o conhecimento e o entendimento humanos.

Mais do que a falta de condições económicas, juntam-se a falta de espaços físicos diferenciados, a insuficiente preparação e a parca motivação de parte dos Encarregados de Educação para acompanhar os seus filhos.

Percebe-se e sente-se a crescente importância das novas tecnologias no quotidiano e da necessidade urgente de as introduzir na ESCOLA para que todos os alunos a elas tenham acesso combatendo as desigualdades a as consequentes assimetrias, empreendimento que nos conduzirá, estou certo, à melhoria da qualidade do ensino e ao desenvolvimento pleno, integral e harmonioso do aluno.

Em complemento, refira-se também que, após o tempo letivo, muitos alunos são deixados entregues a si próprios, com repercussões óbvias nos níveis de desempenho.

As crianças estão habituadas a atividades rotineiras, sem especial motivação para a investigação, para a descoberta, para a pesquisa, estando a sua capacidade de raciocínio (ainda) pouco desenvolvida.

Na verdade, o recurso à Internet gera novos tipos de aprendizagem, mais centrada no aluno, mais baseada em projetos.

A Internet, como uma nova dimensão da humanidade, trouxe um impacto inquantificável, mas por certo muito mais revolucionária do que qualquer outra descoberta.

Há alguns anos as crianças brincavam com brinquedos tradicionais, para se divertir, desenvolvendo deste modo a sua criatividade e as suas capacidades. Hoje em dia, as crianças, embora não tenham deixado de utilizar os brinquedos tradicionais, começam desde muito cedo a ter acesso ao computador como fonte de lazer e diversão, devido a um grande número de jogos infantis e cada vez mais se sentem atraídas pela Internet, onde é valorizada a sua criatividade e imaginação pois, ao mesmo tempo que se diverte, aprende a pesquisar nas longas "autoestradas" virtuais de comunicação, encontrando aí respostas para algumas das suas perguntas.

É necessário compreender que a Internet não tem só vantagens e que deve ser utilizada de uma maneira regrada, impedindo assim a criança de ter acesso a conteúdos que podem ser nocivos para o seu desenvolvimento. É fundamental que as crianças não sejam abandonadas em frente de um computador. Em contexto de sala de aula, o docente deverá por isso ter o papel de educador e orientador da aprendizagem. Assim sendo, estaremos perante um meio de comunicação importante e saudável, que cumprirá potenciar com método e ponderação.




A Internet como meio de transmissão e partilha do conhecimento

Como anteciparam Serge Pouts-Lajus e Marielle Riché-Magnier “... a simples navegação num universo desestruturado de informações não controladas nem validadas não pode ter, só por si, efeitos positivos em termos de aprendizagem. Todavia, se forem enquadradas num projeto educativo explícito, negociadas com o professor e resultarem em trabalhos individuais ou coletivos, a busca de informação e a coleta de documentos através da Internet podem revelar-se particularmente formadoras”. (Pouts-Lajus e Riché-Magnier, in A Escola na Era da Internet, 1999:100)

A Internet é pois um excelente meio de transmissão, aquisição e partilha de conhecimentos, de pesquisa, de descoberta de outras culturas e de aproximação entre pessoas e culturas, derrubando barreiras de sexo, idade, cor, distância, tempo, cultura e educação. Na sequência até do que previu Teresa Almeida d`Eça, “A Internet abre e alarga horizontes, contribuindo para o desenvolvimento do que habitualmente denomino “elasticidade mental”, atributo necessário à nossa vida diária, pessoal, académica e/ou profissional”. (d`Eça, in NetAprendizagem, 1998:29)

Como multimédia dinâmico, interativo e de renovação diária, terá que ser um recurso cada vez mais utilizado na escola. Usá-lo significa aproveitar o seu potencial fascinante, como fator de motivação dos alunos e professores.

Nesta nova Era em que o Professor deixa de ser um agente informador e passa a ter uma função mais rica e profunda – formar – entendo que lhe cabe dinamizar situações educativas que utilizem as novas tecnologias da informação e comunicação de forma eficiente, de modo que o ensino se torne dinâmico, instrumental e um agente de socialização.

As tecnologias de informação e comunicação (TIC) no ensino multiplicam as possibilidades de pesquisa de informação, pois os equipamentos interativos e multimédia colocam à disposição dos alunos uma fonte inesgotável de informação, permitindo-lhes tornarem-se exploradores ativos do mundo que os envolve. Cresceu a premência de vislumbrar formas e meios de ensinar todo e qualquer aluno a avaliar e a gerir a informação que lhe chega. Assim, defendo que a prática pedagógica deverá também, neste domínio, assentar em quatro decisivos pilares, que valorizem a aprendizagem: aprender a conhecer, a prender a fazer, aprender a viver em comum e aprender a ser.

Mais do que um espaço privilegiado para a construção de conhecimentos, tenho para mim que a ESCOLA deverá aceitar ter como papel fundamental a incumbência de desenvolver nos alunos (e professores) o pensamento reflexivo de forma a sermos capazes de pensarmos em soluções criativas e com elas dar resposta a problemas e desafios novos, que emergem na sociedade de forma exponencial.




Integrar e aplicar os conhecimentos a casos concretos

Todas estas “maravilhas” só terão impacto na educação se os professores estiverem formados para lidar com estas tecnologias de forma a permitirem aos seus alunos a navegação com segurança, bem como fazê-los perceber que para “viajar” pela net, acedendo à informação e ao conhecimento, existem regras de ética e comportamento no ciberespaço para respeitar. O Plano Tecnológico rasgou in illo tempore novas avenidas mas… finou-se em nome não se sabe bem do quê. Uma pena.

A Internet é, na verdade, um recurso facilitador do processo ensino/aprendizagem, propondo aos alunos contextos mais atrativos, mais motivadores e mais desafiantes. O facto de, por exemplo, combinar texto com imagem, som e/ou animação torna-a atraente e apelativa.

Quando um aluno recorre, determinado, à Internet para nela “surfar” com o propósito de pesquisar informação sobre algo a que a vida quotidiana tenha emprestado e estatuto de “assunto interessante”, que “até vem nos livros”, deve o Professor estar preparado e sensibilizado para perceber que estarão reunidas as condições para a viabilização de uma aprendizagem motivadora porque a integração e a aplicação de conhecimentos a casos concretos da vida real, além de rara em muitas das nossas escolas, terá sempre o condão de aproximar a Escola ao mundo real. A interatividade põe os alunos a comunicar entre si e com professores. Ela aproxima os alunos daquilo que os rodeia, da sua realidade. Ela implica dinamismo, mudança e adaptação, atributos que cumpre promover e incutir harmoniosamente.

Atividades de pesquisa na web permitem desenvolver a capacidade de resolução de problemas, pois recorrem a situações reais e atuais, aspeto essencial para a adaptação ao mundo em constante mudança.

Em vez de criar meros recetores passivos de informação em massa, gera emissores e produtores ativos de informação e formação.

Como Professor, que sabe não estar só, que sente ter dúvidas e partilhar receios extensivos a muitos colegas, a Internet abre igualmente novas janelas, através das quais também eu poderei trocar conhecimentos, ideias, planos de aula, projetos, enfim, aprender com os outros, o que ajudará a aperfeiçoar as estratégias de ensino. Temos todos à disposição uma autêntica “via verde” de/para atualização permanente de conhecimentos, formação contínua e aprendizagem para toda a vida.

José Manuel Alho

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