Pitágoras garantiu um dia: «Anima-te por teres de suportar as injustiças; a verdadeira desgraça consiste em cometê-las.»
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Sucesso na adversidade
Por José Manuel Alho
Pitágoras garantiu um dia: «Anima-te por teres de suportar as injustiças; a verdadeira desgraça consiste em cometê-las.» E estava certo. Creio que todos nós, uns mais que outros, experimentámos ser alvo de injustiças sórdidas, de ataques vis e, no extremo, de infames estratagemas, que, no entanto, estarão (muito) longe de nos vergar à desonra exclusivamente imputável às almas movidas pela maldade.
De facto, estamos perante coisas diferentes. Perseguidores e alvos apenas se cruzam quando os primeiros se arrogam à soberba de, fazendo uso da sua posição privilegiada, infligirem danos vários por meio de injustiças urdidas com ignóbil requinte. Com efeito, a uns se reconhece o ónus da culpa e a outros se atribui o estatuto de vítima(s). Vítima(s) de injustiças.
Mas de pouco valerá procurar entender ou descodificar os espíritos cavernosos dos que sucumbem à malvadez de prejudicar o seu semelhante. Tratar-se-ia de um exercício insano. Nestes casos, talvez prefira centrar-me no sofrimento dos que, mergulhados nos mais agonizantes infernos, persistem em ser o que são, fiéis aos seus valores e princípios de vida. A estes – estou certo – o TEMPO, juiz supremo de todas as coisas, se encarregará de auxiliar e fortalecer pois só ele sublima a verdade. Em rigor, nenhuma mentira, calúnia ou difamação resiste à ação do TEMPO.
Quer queiramos ou não, o sofrimento, assente na adversidade, faz parte da vida. Superar as adversidades é um dos maiores obstáculos que, desde cedo, enfrentamos. Os problemas, sejam grandes ou pequenos, naturais ou fabricados por mentes perturbadas, são uma constante da nossa existência. Mesmo quando a vida nos corre às mil maravilhas, todos acabamos surpreendidos com problemas, lutas, desafios e infernos. É como se fossemos postos à prova, para vermos de que argamassa somos feitos, como logramos enfrentar algumas situações devastadoras e angustiantes. Não ouso passar a mensagem de que quanto mais adversidade melhor. Não. O sofrimento incapacitante não é benigno. Ainda assim, nada nos inibe que o encaremos como uma realidade da vida, uma daquelas inevitabilidades que nos atinge em número e intensidade diferentes. Quando acontece, aceitá-lo será uma parte da estratégia para nos livrarmos de mais sofrimento. Aceitá-lo pode constituir uma forma de nos reorganizarmos e seguirmos em frente.
Heródoto, filósofo grego, asseverou “in illo tempore”: «A adversidade tem o efeito de atrair a força e as qualidades de um homem que as teria adormecido na sua ausência.» Quando reagimos de forma construtiva e positiva, as qualidades e as virtudes como a coragem, o caráter, a combatividade, a esperança e a perseverança emergem. Mesmo se cairmos na autopiedade ou na armadilha do “porquê eu?”, importará ser capaz de descortinar as oportunidades de sabedoria e de crescimento que acompanham os problemas. E aí residirá o sucesso duradouro dos que persistem na adversidade. Que sucesso? – perguntará o leitor.
Ralph Waldo Emerson, escritor, filósofo e poeta americano, definiu – em termos que muito me inspiram – essa coisa do “sucesso”: «Rir muito e com frequência; ganhar o respeito de pessoas inteligentes e o afeto das crianças; merecer a consideração de críticos honestos e suportar a traição de falsos amigos; apreciar a beleza, encontrar o melhor nos outros; deixar o mundo um pouco melhor, seja por uma saudável criança, um canteiro de jardim ou uma redimida condição social; saber que ao menos uma vida respirou mais fácil porque tu viveste. Isso é ter sucesso!»
José Manuel Alho
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