Opinião.


Do pão à festa



Por José Manuel Alho



No passado mês de maio, entre os dias 16 e 18, Albergaria-a-Velha esteve, pelos melhores motivos, no mapa das principais realizações nacionais. Tratou-se da 1ª edição do Festival do Pão de Portugal, numa organização conjunta da Câmara Municipal, com o apoio do Turismo do Centro e da Associação de Desenvolvimento Rural Integrado das Terras de Santa Maria, que teve lugar na Quinta da Boa Vista.


Depois de ultrapassada a fasquia dos 20 mil visitantes, o evento também logrou confirmar Albergaria como o berço da Rota dos Moinhos, estatuto reforçado pela ambição de António Loureiro em transformar o concelho na “Capital Nacional do Pão”.


Não devemos pecar por falsa modéstia. Este Festival foi um indiscutível sucesso, que mereceu - fruto até de uma boa promoção - o interesse de grande parte dos órgãos de comunicação social regional e nacional.


Neste particular, o seu a seu dono: muito que foi pensado e feito se deve ao trabalho académico do Vereador Delfim Bismarck, que muito nos prestigia enquanto coletividade.


Reconheço que podemos estar perante um vigoroso empreendimento âncora, ao jeito de uma eficaz “lança em África” se, de facto, vier a integrar-se numa política mais ampla e concatenada de promoção turística que inclua, obviamente, a Rota dos Moinhos albergariense. Daí que seja importante, desde já, garantir a continuidade e o enriquecimento deste evento como ferramenta estruturante de outros cometimentos.


Ainda sobre esta realização, destaque para o lançamento, pela edilidade, da Farinha Alva, uma marca que surgiu como consequência da dinamização da Rota dos Moinhos de Albergaria-a-Velha e que agora tem no Chef Hélio Loureiro o seu padrinho oficial. Também este “pormenor” atestou o rigor e o arrojo de quem pensa as coisas antes de as fazer. Creio que este Festival – a primeira grande organização do novo executivo camarário – serviu para perceber que cada passo, cada opção foi motivada por uma intenção muito concreta e fundamentada. É importante que se passe esta imagem de planificação metódica, quase cirúrgica, como predicado essencial da ação autárquica.


Por fim, e porque sou um profissional da Educação, não poderia concluir sem uma menção à preocupação revelada com a vertente educativa do evento. Assinale-se que, para além do cariz gastronómico, o Festival Pão de Portugal contemplou na sua programação vários espetáculos musicais, muitas atividades de animação, demonstrações de cozinha conduzidas pelo chefe Hélio Loureiro, as Conversas com o Pão à Mesa e, principalmente, uma exposição que retratou o Ciclo do Pão, da responsabilidade do Museu do Pão. Para os mais novos, destaque para o Camião Lúdico-Pedagógico que lhes concedeu a oportunidade de participar em diversas atividades e de porem, literalmente, as mãos na massa.



"Creio que este Festival – a primeira grande organização do novo executivo camarário – serviu para perceber que cada passo, cada opção foi motivada por uma intenção muito concreta e fundamentada. É importante que se passe esta imagem de planificação metódica, quase cirúrgica, como predicado essencial da ação autárquica."



 


Albergaria conVIDA 2014


Entre 26 e 29 de junho, está de volta mais uma edição do Albergaria conVIDA, uma organização da Câmara Municipal de Albergaria-a-Velha, na Quinta da Boa Vista /Torreão, que abrirá as suas portas a partir das 19 horas, na quinta e sexta, e a partir das 12 horas, no sábado e domingo.


Para já, esvaiu-se o desiderato, alimentado por muitos albergarienses, de estender esta iniciativa por dois fins-de-semana. Aceito e concedo que, em termos logísticos, o prolongamento do evento colocaria questões várias, de difícil resolução. No entanto, custa conceber que espaço tão nobre – ainda que precise de melhoramentos e de um eventual aumento da área disponível – seja somente utilizado duas a três vezes por ano. Sinceramente, não se percebe. Se alguém, um destes dias, achar por bem esclarecer a população das razões que motivarão tão fraca utilização, agradece-se “ab imo pectore o especial favor.


Este certame anual transita do anterior executivo autárquico. E muito bem. Nem tudo que é do passado deve ser destruído ou ignorado. Seria de uma mesquinhez que só apoucaria quem se dispusesse a semelhante expediente. A política deve ser, acima de tudo, uma manifestação de sabedoria profilática. Ainda candidato, António Loureiro prometeu manter e enriquecer o evento. Não vou apressar-me a concluir que a versão 2014 do Albergaria conVIDA confirmará o reforço da aposta, mas vislumbro, por exemplo, o inovador propósito de reunir gerações com a presença de um artista como José Cid.


Uma vez mais, saliente-se o facto de o programa não esquecer os mais novos ao incluir idas ao cinema, pinturas faciais e horas do conto e, algo que muito prezo, não ter enjeitado a sua dimensão cultural. Para o efeito, e na «ótica de valorização do Palacete, da sua ala acastelada e da Praça D. Teresa, ocorrerá, nas tardes de sábado e domingo, uma encenação histórica a convidar o público a conhecer o passado da Quinta da Boa Vista».


Resta agora saber o que nos reservará agosto e, com ele, o feriado municipal. Uma data há anos sistematicamente negligenciada, que cumpriria, o quanto antes, revitalizar de uma forma mais apelativa e integrada, pensando em todos os albergarienses, mormente os emigrados que, mau grado tormentos e dificuldades, ainda optam por regressar a Albergaria, à sua terra.


José Manuel Alho

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