Pensando em 2015 (V)

MIMAR A EDUCAÇÃO


Nunca pensei ver setor tão determinante para o nosso futuro ser vilipendiado da forma que temos vindo a testemunhar. Paira uma atmosfera de acintosa degradação que prenuncia outros e mais graves prejuízos. Simplesmente, confiando no meu jeito «quixotesco» de priorizar opções em tempo de severa crise, jamais logrei imaginar o caminho que alguns decidiram trilhar. Dizendo-se que não havia dinheiro, fragilizou-se a Escola Pública mas aumentaram-se os apoios às cooperativas de ensino privado, entre outros absurdos assentes no aumento (insustentável) do número de alunos por turma, na diminuição de apoios às crianças com necessidades educativas especiais e nas consecutivas trapalhadas nos concursos de professores, com as repercussões que hoje se conhecem. É preciso conferir de novo à Educação uma dimensão estratégica, respeitando o preceituado na Constituição de priorizar a rede pública de ensino com mais e melhores recursos. Há que mimar a Educação, erradicando pífios experimentalismos e corrigindo assimetrias, mormente no incremento de maior democraticidade na gestão dos Agrupamento de Escolas, agilizando expedientes de fiscalização que, na atualidade, serão meramente simbólicos e suscetíveis a todo o tipo de manipulação. Neste cenário de troika sanguinária para tudo que é(ra) servidores públicos, registe-se, para memória futura, que as Educadoras de Infância e, principalmente, os Professores do 1.º Ciclo, outrora conhecidos como Professores Primários, foram violentamente menorizados com o aumento do horário de trabalho, a subtração do regime especial de aposentação e até do – imagine-se! – intervalo (no casos dos docentes do 1.º CEB). Vítimas de governantes impreparados, de Direções preconceituosas, de sindicatos incompetentes e de autarquias despóticas, os Educadores e Professores do 1.º Ciclo estão a ser sujeitos a um vergonhoso abastardamento do seu papel e função, que urge corrigir.


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