Pensando em 2015 (VI)

O NOVO ANO EM ALBERGARIA


O primeiro ano de António Loureiro como presidente da Câmara Municipal de Albergaria-a-Velha foi claramente positivo. Mais sóbrio que a referência precedente e revitalizando, com parcimónia, o cardápio das prioridades, regista uma taxa de cumprimento das promessas eleitorais que deveria servir de exemplo se replicada para o todo nacional. Revela, contudo, a pecha da comunicação por, erradamente, confundir informação com propaganda. E parece querer persistir no engano. Sei que, em breve, o sítio na internet da edilidade sofrerá uma profunda remodelação, que peca somente por tardia. Parece (muito) bem acompanhado pelo Vice-Presidente, Delfim Bismarck, a usufruir de uma distribuição de pelouros que parece feita à medida do perfil de competências que se lhe (re)conhece. Em plano igualmente muito satisfatório. Por contraponto à vereadora Ana Silva, com um desempenho consensual, esteve Catarina Mendes (CM) com as áreas da Educação, Ação Social, Habitação, Emprego e Formação Profissional. Não parecendo deter uma personalidade de fácil empatia, evidenciou estar ainda à procura do seu registo. Aparenta um modo empastelado, porventura burocrático, de encarar os dossiers que lhe couberam em sorte. Apesar da ingrata herança deixada pelo anterior executivo que transformou, para muito melhor, o parque escolar concelhio, imprimindo ao setor uma dinâmica empreendedora, revelou-se pouco arrojada. Protagonizou, no passado dia 19 de novembro, numa entrevista ao jornal "Correio de Albergaria", uma tremenda infelicidade quando teceu um conjunto de afirmações sobre a EB de Albergaria que, entre outros, até visou a qualidade do ensino ali ministrado. Em consequência, o que fez CM para, junto das autoridades e poderes competentes onde o CDS/PP tem assento, corrigir ou, pelo menos, atenuar as graves falhas e insuficiências que se limitou a apontar naquela unidade de ensino? Sabendo que ali existirá «maior concentração de problemas» e reconhecendo que os pais «não sentem apoio e segurança», que iniciativas foram já desencadeadas visando a alteração do referido estado de coisas?



Na verdade, não basta vir para o principal arauto da terra dar corpo e voz a consensos generalizados sem antes, ou simultaneamente, dar consequência às suas avaliações. É que a qualquer decisor público não se espera que (só) saiba diagnosticar. Exige-se, acima de tudo, que saiba AGIR em conformidade. Quando se exercem funções de interesse público, há uma dimensão institucional que importa observar e preservar sob pena de se causar sério prejuízo ao prosseguimento do interesse da coletividade. Os estados de alma, consubstanciados em convicções vincadamente subjetivas («qualidade de ensino»?!), não constituem atributo que otimize a ação pública. De resto, não se conhecem ponderações análogas de CM ao Agrupamento de Escolas da Branca ou ao Colégio de Albergaria. Lá no fundo e a pretexto de supostas confusões de tutela (se cabe à autarquia ou ao Ministério a responsabilidade das instalações) - que não podem justificar a aparente inação generalizada da edilidade no que concerne à EB de Albergaria - apontar o dedo acusatório a tudo e a todos quando, na sua esfera de intervenção, pouco ou nada se fez para, no quadro das suas atribuições, resolver os problemas de que se faz alarde conhecer, é um monumental tiro no pé. Por fim, não deixa de ser (muito) feio saber que as turmas do 1.º Ciclo da EB de Albergaria não têm sequer um computador disponibilizado pela autarquia, por alegadamente subsistirem “questões de tutela”, mas, em simultâneo, estender àquela escola a “incumbência” de, plena época natalícia de avaliações, enfeitar balcões e montras de equipamentos camarários. Temos que assentar em uma de duas coisas: ou a EB de Albergaria integra-se no universo da intervenção da edilidade para todas as circunstâncias ou assume-se que pertence ao Ministério da Educação e Ciência e aí deixamos de a importunar com certos caprichos vincadamente exibicionistas.


Sugere-se a Catarina Mendes que, à semelhança dos que era a prática dos seus antecessores, apareça nas escolas no início de cada ano letivo para “in loco” ver e ouvir os utentes (alunos, professores, assistentes operacionais…) que melhor poderão esclarecê-la do que realmente é essencial antes de atirar a matar sobre tudo e todos.



 

Comentários