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Vivemos a interrupção pascal da atividade letiva. Os alunos e suas famílias gerem, por dias, alterações de rotina enquanto as escolas e os seus professores são literalmente engolidos por crescentes afazeres administrativos, alguns deles de duvidosa utilidade.
Um dia destes, quando o país retomar alguma da sanidade intelectual e emocional, se fará a história das violências a que foi sujeito o serviço público de Educação. Na verdade, crianças e jovens precisam de respirar. E, no caso dos petizes, de brincar para crescer. Sobre as crianças, maioritariamente matriculadas no 1.º Ciclo do Ensino Básico, anteriormente designado de Ensino Primário, têm sido alvo de toda a sorte de experimentalismos, que só atestaram a impreparação de consecutivas fornadas de responsáveis políticos. Na última década, pelo menos, a Escola foi encarada como um espaço de trabalho contínuo, sem tempo nem espaço para, simplesmente, BRINCAR. Os profissionais do setor, vítimas da presunção de incompetência, foram sujeitos a uma ignóbil degradação do seu estatuto social, profissional e económico. Uma vergonha. Hoje, por exemplo, qualquer autarca pé de chinelo subjuga profissionais altamente qualificados a decorar de rotundas ou a sambar num desses carnavais de (muito) baixo nível. Assomou-se a imposição como grande forma de “diálogo” com a classe docente.
No entretanto, os bajuladores do sistema, usualmente mansos com os fortes e arrogantes com os fracos, apressaram-se a subscrever acriticamente todas as crueldades urdidas em gabinetes desprovidos de janelas. Brotaram as grelhas, as tabelas, os gráficos, os relatórios e a vulgarização do instituto da Reunião em defesa dos que pretendem travestir-se de competência.
A seu tempo, ouso vaticinar com lirismo q.b., se premiará os que souberem diminuir o número de reuniões e outros formalismos estéreis, instituídos para salvaguarda da mediocridade.
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