A ministra dos cofres… cheios?!

No âmbito de uma iniciativa partidária, a ministra das Finanças foi lesta a vangloriar-se de ter(mos) «os cofres cheios». Numa primeira reação, esbocei uma tonta perplexidade: como pode a ministra das Finanças de um país com dívida de 128,7% do PIB gabar-se de tal proeza?!


Uma leitura mais fina da história recente deste país aconselharia, contudo, maior prudência. A expressão “cofres cheios” poderá confundir-se com um país espartilhado pelo ostracismo e mergulhado na miséria, ainda que com ouro nos cofres. Não sei nem consigo descortinar se tudo isto não terá passado de um lamentável deslize imputável à suposta falta de experiência política de Maria Luís Albuquerque. De igual modo, ignoro se a almofada financeira do Estado – que Viriato Soromenho Marques, sabiamente, designa por “almofada de pedra” – se constituirá numa virtude exclusivamente nossa. O que sei é que estamos num país onde os avós foram abandonados à sua sorte, os pais cuspidos para o desemprego e os filhos aconselhados a emigrar.


Sobre este mesmo assunto, Baptista-Bastos, num texto intitulado “O insulto”, sumaria com bíblica acuidade: «Infelizmente, este Governo, com as práticas demonstradas ao longo de quatro anos pavorosos, repletos de escândalos, de confrontos com a própria noção de república, tem sido, é, o maior aborto democrático e o mais grave insulto a todos nós. Os próprios conceitos sociais-democratas têm sido espezinhados por este grupo que trepou ao poder. Um livro indispensável, “Tratado sobre os nossos atuais descontentamentos”, de Tony Judt (Edições 70/2010), devia ser leitura recomendada aos jovens militantes do PSD.»


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