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A Confap, os sindicatos e o resgate
Quem, por estes dias, viesse a Portugal para observar ou tratar de assuntos relacionados com a Educação, ficaria com a alarmante impressão que o setor se encontra refém dos humores e caprichos de uma confederação de Pais.
Colhemos agora os frutos de uma injustificada e sobredimensionada abertura da ESCOLA a algumas organizações representativas, que cedo se permitiram – com a anuência de governos que abriram mão de tudo para (somente) desautorizar os professores – dar palpites sobre relevantes matérias educativas. Porque, em determinado momento, defenderam o que convinha, estas pensaram que, daí em diante, mais nada se decidiria sem a sua bênção ou palavra final.
Vem isto a propósito da proposta do Conselho das Escolas recomendando mais uma pausa para “férias de outono”, que suscitou da Confap uma resposta desabrida na forma e tremendamente infeliz no conteúdo. Em alternativa, aquela organização defende uma “mudança radical”: um mês de férias de verão.
Independentemente de se apurar se esta posição do presidente da Confap representará efetiva e fielmente a posição da maioria dos seus associados, articulando esse tema com as lógicas de funcionamento interno e externo no passado recente deste tipo de organizações, cumpre lamentar a falta de resposta dos representantes institucionais dos docentes. E neles se destaca, pela negativa, os sindicatos.
No período de tempo atrás identificado, os Educadores de Infância e os Professores do 1.º Ciclo foram, por exemplo, deixados para trás. Esquecidos. Abandonados. Sacrificados. Sobressaiu o silêncio de quem consentiu alterações do calendário escolar, do horário de trabalho, do regime de aposentação entre outras maldades, a roçar a indignidade, como a subtração do simplório intervalo, ajuda(ra)m a rechear uma extensa e quase indefensável «nota de culpa».
Os sindicatos são essenciais à regulação integrada das relações laborais pelo que a sua função deve ser reconhecida e valorizada. Contudo, ninguém lhes deve garantir imunidade à crítica.
No caso concreto do sindicalismo docente, a avaliação imposta pela ação nos últimos 6/7 anos remete-nos para um cenário pautado pela mediocridade e incompetência.
No período de tempo atrás identificado, os Educadores de Infância e os Professores do 1.º Ciclo foram, por exemplo, deixados para trás. Esquecidos. Abandonados. Sacrificados. Sobressaiu o silêncio de quem consentiu alterações do calendário escolar, do horário de trabalho, do regime de aposentação entre outras maldades, a roçar a indignidade, como a subtração do simplório intervalo, ajuda(ra)m a rechear uma extensa e quase indefensável «nota de culpa».
Impor-se-ia que, na indisponibilidade aparente da Confap para defender os direitos dos filhos à infância, afirmar o primado das questões pedagógicas na definição do calendário escolar. Exigir-se-ia que os sindicatos de professores assumissem a defesa da dignidade da função docente, recusando «bitaites» que visam diminuir a sua respeitabilidade profissional quando se insinua que as escolas devem ser espaços de entretenimento contínuo ou, simplesmente, ocupacional. Acreditar-se-ia que os sindicatos de professores, que também têm família porque são pais, lograssem lembrar que o exercício da parentalidade, para ser sério e credível, não poderá jamais assentar em posições reiteradamente promotoras da desresponsabilização, cuspindo para a ESCOLA todas as responsabilidades e incumbências que são da exclusiva competência da FAMÍLIA.
Voltando ao caso concreto da tonitruante proposta do presidente da Confap, caberia aos sindicatos vir a terreiro desmontar e atacar tão grosso dislate. Mais, caber-lhes-ia denunciar, com veemência e contundência q.b., o vitupério verbalizado por aquele responsável quando afirmou: “Começo a recear que as escolas tenham mais pausas do que aulas.”
Esperar-se-ia que os sindicatos soubessem, através de estudos comparativos que deveriam ser do conhecimento dos principais agentes educativos, lembrar que as crianças e jovens portugueses são, por referência ao panorama europeu, aqueles que mais tempo de aulas têm na escola. Impor-se-ia que, na indisponibilidade aparente da Confap para defender os direitos dos filhos à infância, afirmar o primado das questões pedagógicas na definição do calendário escolar. Exigir-se-ia que os sindicatos de professores assumissem a defesa da dignidade da função docente, recusando «bitaites» que visam diminuir a sua respeitabilidade profissional quando se insinua que as escolas devem ser espaços de entretenimento contínuo ou, simplesmente, ocupacional. Acreditar-se-ia que os sindicatos de professores, que também têm família porque são pais, lograssem lembrar que o exercício da parentalidade, para ser sério e credível, não poderá jamais assentar em posições reiteradamente promotoras da desresponsabilização, cuspindo para a ESCOLA todas as responsabilidades e incumbências que são da exclusiva competência da FAMÍLIA.
... devolver aos profissionais do setor o relevante contributo na definição das grandes opções estratégicas, extirpando do sistema concessões, invariavelmente motivadas por inconfessáveis interesses políticos, que o tempo veio a desnudar como contraproducentes. E do sistema também fazem parte os sindicatos, que importa resgatar do amorfismo a que aparentemente se entregaram.
Mas não foi isso que aconteceu. Nem se vê indícios que venha a acontecer. Também as lógicas de atuação dos sindicatos que temos parecem desfasadas do mundo contemporâneo. Sem a devida oposição, com alternativas válidas que convençam a opinião pública, intervenções como a do presidente da Confap continuarão a fazer o seu caminho. Para prejuízo, principalmente, das crianças e jovens do nosso país.
A sempre conveniente mas gasta «revolução na educação», a que já recorre(u) o rosto da Confap, passará por devolver aos profissionais do setor o relevante contributo na definição das grandes opções estratégicas, extirpando do sistema concessões, invariavelmente motivadas por inconfessáveis interesses políticos, que o tempo veio a desnudar como contraproducentes. E do sistema também fazem parte os sindicatos, que importa resgatar do amorfismo a que aparentemente se entregaram.
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