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Do mesmo modo que muitos tentaram impingir o frango de churrasco como como o “novo leitão dos pobres”, perpassou por aí a lógica de que o trabalho, agora viabilizado por “colaboradores”, deveria comparar-se a uma espécie de oferta ou doação nem sempre passível da justa remuneração. Lógicas que, como se vê, infligem danos geracionais difíceis de reverter até porque as opções pela conjugalidade e pela parentalidade foram tristemente postergadas. Daí que estejamos deprimidos, sorumbáticos, vazios de sonho e de esperança.
Mia couto definiu estes tempos de um jeito assaz eloquente e certeiro com que (hoje) me quedo: «Estamos tão entretidos em sobreviver que nos consumimos no presente imediato. Para uma grande maioria, o porvir tornou-se um luxo. Fazer planos a longo prazo é uma ousadia a que a grande maioria foi perdendo o direito. Fomos exilados não de um lugar. Fomos exilados da atualidade. E, por inerência, fomos expulsos do futuro.»
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