OXI – o não grego.


Os gregos rejeitaram, no referendo do passado dia 5, as propostas apresentadas pelos credores com uma vitória do "não" (61,3% dos votos). Apesar do calvário em que se tornou o quotidiano helénico, mormente com o controlo de capitais, com severas implicações sociais, os gregos fizeram jus ao lastro histórico de combate político e de luta contra a humilhação, consecutivamente perpetrada por turcos, ingleses e, acima de tudo, pela Alemanha nazi.


Qualquer que seja o desfecho que o assunto terá (n.d.r. ignoro, à data em que escrevo este artigo, os desenvolvimentos mais recentes), cumpre saudar o mérito deste referendo. A despeito do posicionamento de quem, à esquerda ou à direita, formou opinião sobre a matéria, saibamos reconhecer que esta opção levou muitos europeus a pensarem, a refletirem e a debaterem a organização e o futuro da União Europeia. E esse é um imperativo civilizacional que não podemos (jamais) descurar.


Em todo o caso, o destemor do povo grego remeteu-me para os versos sublimes de Manuel Alegre (in “Praça da Canção”): «...há sempre uma candeia / dentro da própria desgraça / há sempre alguém que semeia / canções no vento que passa. / Mesmo na noite mais triste / em tempo de servidão / há sempre alguém que resiste / há sempre alguém que diz não.»

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