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Há demasiado tempo que decorre a campanha para as legislativas do próximo dia 4 de outubro. E confesso: já estou enfadado ao ponto de me sentir à beira do enjoo. Com a recente libertação de José Sócrates, amplificada por uma comunicação social empobrecida e gravemente estupidificada, este sentimento de não identificação com a coisa pública, de profundo distanciamento com o atual discurso político, terá atingido proporções irreparáveis.
A esmagadora maioria dos protagonistas que preenchem a arena política nacional parece revelar um genuíno afastamento da vida concreta dos seus concidadãos, sobressaindo um penoso desconhecimento das dificuldades, das prioridades e das aspirações sentidas pelos eleitores. É como se vivessem numa bolha muito higienizada, à margem de uma realidade que nem querem compreender por recearem uma qualquer contaminação. Alguns até evidenciarão uma verdadeira incapacidade de se colocarem nos sapatos do outro(s) pelo que se lhes apontam reiterados disparates, que até roçaram o burgesso.
Nos últimos anos, o sofrimento e o medo prosperaram de um modo assaz aviltante. Daí que, confrontado com esta cinzenta paleta de projetos políticos, me sinta tentado a subscrever integralmente Vasco Pulido Valente quando asseverou «As pessoas andam inquietas. Pior do que isso andam com medo. Medo do que lhes poderá suceder com António Costa ou com Passos Coelho. Costa pede por aí “confiança”, ou seja, que não tenham medo dele. E Passos finge que as coisas voltaram, ou estão a voltar, a uma normalidade que as pessoas não reconhecem e não sentem.»
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