O drama dos refugiados.


Segundo apurou a agência da ONU para os refugiados, quase 300 mil migrantes chegaram este ano à Europa pelo mar Mediterrâneo. Estima-se que as chegadas continuarão a um ritmo de três mil pessoas por dia. Um flagelo para o qual o velho continente europeu tardiamente despertou.


Em consequência, cumpre, numa abordagem necessariamente mais integrada, reconhecer o alcance da exortação do comissário das Nações Unidas para os Refugiados, António Guterres: «O meu apelo é para que os Estados europeus reconheçam que este é um momento excecional que exige medidas excecionais, que a Europa, como um todo, tem de responder com solidariedade e que é também uma batalha de valores em que a Europa não pode falhar».


E é neste enquadramento humanista, de assunção partilhada de valores civilizacionais impenhoráveis, que enalteço o gesto do Papa. Na Praça de São Pedro, Francisco pediu «que cada paróquia, comunidade religiosa, mosteiro, santuário da Europa acolha uma família» para logo depois prevenir que o pedido encontraria acolhimento bem perto: «Também as duas paróquias do Vaticano irão acolher por estes dias duas famílias de refugiados.»


Sem prejuízo de outras análises geopolíticas que ajudem a minorar ou até mesmo a resolver o problema, importa agora fazer a apologia da ação vocacionada para o outro que foge da guerra e da fome, numa demanda pela esperança que a ninguém se pode negar.

Comentários