Uma velha tradição.


Segundo o jornal “Diário de Notícias”, desde o dia 5 de outubro, o Governo de Pedro Passos Coelho fez publicar em Diário da República perto de uma centena de nomeações de dirigentes para cargos intermédios na Função Pública, que não têm de passar pela CReSAP, a Comissão de Recrutamento e Seleção para a Administração Pública. Uma tradição infelizmente secular. Já não me lembro quem era o Primeiro-ministro que, em outubro de 2011, profetizou que Portugal só sairia da crise «empobrecendo», desafiando mesmo quem conhecesse forma de diminuir a dívida e o défice «enriquecendo e gastando mais» a dizer como isso se faz. No entanto, recordo que alguém terá dito, a pretexto do desemprego, que «Despedir-se ou ser despedido não tem de ser um estigma, tem de representar também uma oportunidade para mudar de vida.» Sei mesmo de uma mente iluminada que asseverou que «todas as dificuldades porque passámos não terão servido para nada. Servirão para alguma coisa (...) quando não nos comportarmos como baratas tontas e soubermos bem para onde vamos.» Porventura, foi aquele que ameaçou: «Temos de mexer nas pensões, temos de mexer nas despesas de saúde, temos de mexer nas despesas de educação.» Mas, afinal, onde para quem, em 2013, advertiu «É uma demagogia inaceitável vir dizer que haveremos de cumprir as nossas obrigações e respeitar os compromissos sem diminuir a despesa, pode ser dito, mas é uma demagogia.»?!

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