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Texto de José Manuel Alho
O carnaval voltou e com ele alguma catarse sempre terapêutica. Porque estamos no Inverno, a probabilidade de as condições climatéricas inviabilizarem as grandes iniciativas a céu aberto acabou por concretizar-se. Apesar de todos os esforços - mormente dos que estão sempre disponíveis para forçar o pretexto em nome de uma qualquer farra - mantém-se que o carnaval não é uma tradição genuinamente portuguesa. Trata-se de uma importação que seduziu e ganhou terreno pelo seu exotismo.
Portugal tem uma matriz etnocultural centrada no Entrudo que, ao representar um subconsciente coletivo, é também uma festa de inteira liberdade, durante a qual é permitido fazer-se tudo ou quase tudo. Com inteligência, criatividade e mordaz poder satírico, os costumes e os preconceitos veem-se remetidos para o fundo de um baú fechado a sete chaves.
A própria designação «Entrudo» – do latim introitus (introito) - apresenta igual significado: o de introduzir, dar entrada, começo ou anunciar a aproximação da quadra quaresmal. Aliás, em Portugal, uma das primeiras referências ao Entrudo encontra-se precisamente num documento datado de 1252, no reinado de D. Afonso III. Independentemente das origens, importa assentar que o Entrudo é uma festa com um significado intrinsecamente relacionado com a cultura de cada povo.
Por isso, não sou grande entusiasta desta importação de costumes de outro hemisfério onde o carnaval se festeja em pleno verão tropical. Ver as moçoilas a sacudir a celulite, com uma brancura semifluorescente, ostentando pele de galinha, enquanto bebo o meu chazinho, é coisa que não me convence.
E depois é o que se vê: após volumosos investimentos financeiros e pessoais, sucedem-se os cancelamentos um pouco por todo o país, penalizando fortemente quem tanto trabalha para que estas coisas aconteçam e saiam à rua. Daí que elogie a inteligência estratégica de municípios e de outras organizações que já vão agendando estes eventos para o Verão. Com temperaturas mais apetecíveis e beneficiando de maior disponibilidade das populações, usualmente em gozo de férias, os riscos gerais são menores e os dividendos bem mais compensatórios.
Neste retângulo à beira-mar plantado, persistem outros carnavais. Ou como ‘in illo tempore’ asseverava Rafael Bordalo Pinheiro, em 1879, ao regressar a Lisboa após uma estadia de quatro anos no Brasil: «Cá pelo país está tudo diferente e tudo na mesma. As lutas pelo poder continuam. Os partidos sucedem-se. É que a política é como uma “grande porca”. É na política que todos mamam. E como não chega para todos, parecem bacorinhos que se empurram para ver o que consegue apanhar uma teta.»
Quando o humanismo e a solidariedade vencem. A pequena Patrícia, de 6 anos de idade, residente em S. João de Loure, já não terá de percorrer 26 quilómetros ao colo da mãe para, simplesmente, usufruir dos tratamentos de fisioterapia de que necessita. E tudo graças aos nossos Bombeiros Voluntários e à clínica privada de fisioterapia local que, sabendo do caso, se disponibilizaram para resolverem, a contento da Patrícia, tão adversa situação. É nestas alturas que percebemos que o mundo ainda faz sentido.
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