O povo paga e reza.


Tropecei num destes dias no retrato oficial do presidente Aníbal Cavaco Silva, da autoria de Carlos Barahona Possollo, agora exposto no Museu da Presidência da República. De pé, repousa a mão esquerda em formas encadernadas da Constituição da República Portuguesa (CRP), de "A riqueza das nações", de Adam Smith e de outras duas obras assinalavelmente espessas. Na mão direita, o presidente ostenta ainda uma caneta de tinta permanente. Um retrato que, afinal, ilustrará fielmente um legado pejado de forçadas e, por isso, frágeis convicções, mais vocacionado para o formalismo estéril de uma interpretação redutora de tão relevantes poderes. Enredado em insanáveis contradições, onde o instituto da palavra raramente serviu para mobilizar o melhor da nação, o anterior presidente espraia-se na derradeira ironia de refugiar-se simbolicamente, à sua esquerda, num exemplar da CRP, que – como Primeiro-Ministro e PR – tão abundantemente fragilizou.


 


Reconhecido seja, pela sua sapiência e argúcia, Eça de Queiroz que, em 1872, já alvitrava: «O povo paga e reza. Paga para ter ministros que não governam, deputados que não legislam (…) e padres que rezam contra ele. (…) Pagam tudo, pagam para tudo. E como recompensa dão-lhe uma farsa.»


 


Entretanto, o novo PR, Marcelo Rebelo de Sousa, escolheu três das principais figuras da hierarquia no Palácio de Belém, que passou a ocupar desde o passado dia de 9 de março. Frutuoso de Melo é o chefe da Casa Civil, o tenente-general João Luís Ramirez de Carvalho Cordeiro é o chefe da Casa Militar e José Augusto Duarte é o assessor diplomático. Aplaudo, pela sua competência e idoneidade, a seleção de Fernando Frutuoso de Melo, até há pouco o diretor-geral da Cooperação e Desenvolvimento da Comissão Europeia.


 


Tiago Brandão Rodrigues, o novo Ministro da Educação, apesar de algumas resistências com motivações vincadamente partidárias, ousou dar sinais muito positivos sobre as correções e aperfeiçoamentos que urge viabilizar na Escola Pública. No entanto, o tempo vai passando e as boas expectativas criadas vão dando lugar a alguma apreensão por não se ver medidas concretas que cumpram as intenções entretanto assumidas. Resta pagar para ver ou, numa versão mais ecuménica, “rezar para ter”.



Depois dos sinais, faltam as medidas. É certo que o novo titular da pasta da Educação cedo percebeu que, para já, não poderá contar com a total disponibilidade do Conselho das Escolas (CE), órgão constituído por diretores, e do atual Conselho Nacional de Educação, ostensivamente colados à atuação e às prioridades de Nuno Crato. Ainda assim, ter-se-ia por incontroverso iniciar o processo tendente à reformulação (ou mesmo revogação) das metas curriculares e dos programas, mormente no 1.º Ciclo, a antecâmara preferencial para todos os funestos experimentalismos levados a cabo na última década. Complementarmente, não se percebe por que razão ainda não foram desencadeadas iniciativas (mensuráveis) visando o combate à insana carga burocrática imposta aos professores ou os necessários processos legislativos que favoreçam a recuperação dos níveis de democraticidade nas nossas escolas.


 


Visando a melhoria das condições de circulação e trânsito, que favoreça a orientação de condutores e peões, a edilidade colocou 15 novos conjuntos de sinalética no centro da cidade, num investimento que superou os 18 mil euros. Feita esta a intervenção inicial, estima-se que a ação se estenda às freguesias. Saúda-se esta aposta da autarquia porquanto garante localização exata de escolas, equipamentos municipais e de outros serviços de interesse público, promovendo a atividade ou o negócio, sem afetação paisagística passível de reparo.


 


Neste mês de março, comemora-se o 5.º aniversário do polo de Albergaria-a-Velha do Centro Municipal de Marcha e Corrida(CMMC). O calendário das caminhadas e trails contemplará um passeio por mês em cada uma das freguesias. Destaque ainda para o facto de, aproveitando mais uma edição do Festival Pão de Portugal, em junho, estar previsto o “Trail Rota dos Moinhos” com o propósito de promover e divulgar o património molinológico do concelho.



Depois de, em fevereiro, o Albergue de Peregrinos Rainha D. Teresa ter acolhido o primeiro Curso para Hospitaleiros Voluntários realizado em Portugal, chegou, no passado dia 1, o momento de reabrir oficialmente as suas portas. Sublinha-se o alcance desta aposta em função até da posição geográfica do Concelho a caminho de importantes peregrinações como Fátima e Santiago de Compostela. 


José Manuel Alho

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