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A Constituição da República Portuguesa (CRP) comemora quatro décadas de existência. Partilho do entendimento do atual Presidente da República que, em cerimónia recente, asseverou: «Penso que não há, neste momento, prioridade à revisão constitucional. O país tem outros problemas muito mais urgentes.» A CRP subsiste, com maior ou menor vigor e apesar de todas as vicissitudes do nosso passado recente. Sem esquecer a sua dimensão normativa, não escondo a preocupação por verificar que, em demasiados domínios, ela estará perigosamente adormecida. Mas também não ignoro os diagnósticos de quem, por opção ideológica, entende que possa estar viva de mais.
Faço notar que esta matéria contende, muito nitidamente, com a nossa integração na União Europeia enquanto bloco político e económico um dia pensado para aumentar o crescimento económico e o bem-estar das suas populações. Por isso, ganha extraordinária acuidade a reflexão de Miguel Torga que, em 1933, confidenciava: «Ninguém me encomendou o sermão, mas precisava de desabafar publicamente. Não posso mais com tanta lição de economia, tanta megalomania, tão curta visão do que fomos, podemos e devemos ser ainda, e tanta subserviência às mãos de uma Europa sem valores.»
A iniciativa "Vamos pôr o Sequeira no lugar certo”, lançada em outubro do ano passado, surtiu efeito. O Museu Nacional de Arte Antiga anunciou que angariou os 600 mil euros necessários para comprar o quadro “Adoração dos Magos”, de Domingos Sequeira. Uma boa notícia que celebra a nossa capacidade de mobilização quando confrontados com causas de inegável interesse coletivo. O feito reveste-se de maior importância por preservar a herança de Domingos Sequeira (1768-1837), cuja obra, datada das primeiras décadas do século XIX, se situa entre o Classicismo e o Romantismo, com um estilo análogo ao de Francisco de Goya, um dos três maiores mestres da pintura espanhola, juntamente com El Greco e Velazques.
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