Guterres e os portugueses.


Depois de, na sexta votação, não ter recebido qualquer “chumbo” dos cinco estados com poder de veto, António Guterres foi eleito o próximo secretário-geral da ONU. Já intitulado «a lenda do génio diplomático», espera-se muito deste novo o árbitro do mundo até porque, como muito bem vincou o 2º secretário-geral da ONU (1953-1961), Dag Hammasskjold: «Este cargo não foi criado para levar a Humanidade ao paraíso, mas para a livrar do inferno.» Portugal está de parabéns por ter um dos seus melhores em tão determinante arena política.


 


Daí que continue a fazer sentido acreditar em Portugal e nos portugueses com aquela mesma intensidade que justifica a urgência de nos repensarmos. Sob pena de, de como antecipou Miguel Torga – “Diário XIII”: «Apenas se pode temer que no aconchego dos salões, sem a penúria, a incultura e a injustiça que clamam pelo país fora diante dos olhos, nos fique uma visão paradisíaca do que sabemos ser um purgatório.»


 


Um purgatório muito tuga ou, conforme batismo de Pedro Bingre do Amaral, uma outra versão d’“o capitalismo português” assim descrito: «Tens uma vaca. A CEE oferece-te outra. Mais tarde a UE impõe quotas de produtividade e impede-te de exportar leite, mas em contrapartida co-financia a construção de uma central leiteira, a qual nunca é usada. Para pagar a comparticipação, pedes empréstimo a um banco germânico. Para saldar a dívida vendes as vacas ao Estado Chinês. Por fim emigras para França, onde te dedicas à ordenha.»


José Manuel Alho

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