Albergaria. Sobre a decisão de requalificar a Escola da Avenida.


Foi aprovada, em reunião de Câmara, a requalificação da Escola da Avenida. Com os votos contra dos vereadores José Licínio Pimenta, Nuno Silva e Sandra Correia, a decisão ora consumada é suscetível de colher as maiores críticas justamente pelas razões que já aduzi, há semanas, neste mesmo espaço.


 


Eis-nos, de novo, confrontados com uma opção grave e muito ponderosa. Não estamos a falar de trocos ou de dinheiros privados. Trata-se de dinheiro e investimento públicos em tempo de profundos constrangimentos financeiros. Cumulativamente, é uma escolha que afetará a qualidade da formação e do crescimento de futuras gerações.



... temo que as necessidades do 1.º Ciclo escola básica 1/2 se perpetuem e se esqueça a premência de ali edificar mais espaços polivalentes cobertos onde as crianças possam brincar nos dias de severa invernia. A verdade é que, nestes três anos, nada mudou ou foi feito para minorar tão duras insuficiências.


 



 


Não quero crer que este processo decisório, ainda que alguns o qualifiquem de atamancado, tenha sido precipitado pela urgência do calendário eleitoral e, por conseguinte, pela necessidade de mostrar, a todo o custo, obra ao povo. O certo é que esta opção surge quando a Carta Educativa concelhia se encontra (ainda) em fase de revisão, aliás, um encargo considerável que se terá de pagar à Universidade de Aveiro. Estas circunstâncias conjugadas, por si só, aconselhariam maior articulação processual.


 


Mas centremo-nos no essencial: está é a melhor decisão? Para mim, não. Reforço o pensamento por mim já expendido sobre esta matéria: não me parece que seja uma solução globalizante, equilibrada e duradoura até porque, segundo se sabe, destinar-se-á somente a quatro turmas. No mais, os alunos do 1.º Ciclo, mesmo descontada toda a sorte de constrangimentos vigentes, usufruem no momento de um conjunto de instalações, mormente as desportivas, que não implicam, por exemplo, a saída daquele espaço. Por isso, faria mais sentido a construção de mais um pavilhão na área ainda disponível na escola básica 1/2  – uma possibilidade já inscrita no projeto inicial de construção.


 


Em toda a tramitação que culminou com esta opção, cumpre saber se foram auscultados todos os parceiros. O Diretor, o Conselho Geral e a Associação de Pais do Agrupamento de Escolas de Albergaria foram tidos e achados antes da deliberação? Se sim, o que disseram? E a tutela, designadamente a DGEstE, apoiou formalmente esta solução?


 


O certo é que o caminho que agora se escolheu remete para as calendas gregas a viabilização de um verdadeiro Centro Escolar para a sede do concelho. Ademais, temo que as necessidades do 1.º Ciclo escola básica 1/2 se perpetuem e se esqueça a premência de ali edificar mais espaços polivalentes cobertos onde as crianças possam brincar nos dias de severa invernia. A verdade é que, nestes três anos, nada mudou ou foi feito para minorar tão duras insuficiências.


 


A Escola da Avenida - a minha escola durante quatro anos - só por um milagre reunirá as condições estruturais e funcionais que este século tem como basilares. Desde as infraestruturas sanitárias, passando pelas valências associadas ao refeitório, recreio e atividades lúdico-expressivas, até aos acessos para pessoas com mobilidade condicionada, é de crer que o futuro venha a ser implacável, encarregando-se o tempo de julgar os méritos desta opção.


José Manuel Alho

Comentários