Por entre sementeiras, revelações e caciquismos.


Querer é obrigar os desejos a fazer ginástica. Olhando em redor, com a retalhada esperança de um pessimista bem informado, não enxergo o Homem entregue a novos cultivos que nos tragam outras colheitas. Neste tempo em que o Natal nos é imposto com tonta antecedência, percorro ruas e cidades e detenho-me, já sem a surpresa de outros olhares, com a desenfreada sanha consumista que parece animar muitas almas, sempre apressadas e insatisfeitas. Não quero entrar por grandes reflexões cujo mérito redundaria num exercício de galopante angústia. Mas importa apontar para outras sementeiras porque, como bem lembrou Eugénio Roda in “O Quê Que Quem”:  «Semear é dar o que Queremos receber. Querer é obrigar os desejos a fazer ginástica. Espreitar é o que fazemos quando os nossos olhos são maiores que O Mundo. O mundo é uma bola tão grande que se torna difícil jogar com ela.»



...leio as seguintes declarações imputadas ao Presidente da edilidade: «quando o Presidente da Câmara e a Vereadora da educação vão visitar uma escola com diretores da Direção-Geral dos Estabelecimentos Escolares e não são recebido pelo Presidente da Direção, muita coisa vai mal. Não preciso de dizer mais nada.» (sic)


 



BioLiving. Persistindo no caminho dos que ousam plantar, cumpre dar justa ênfase à iniciativa da Associação BioLiving, que, com o apoio dos alunos do curso de Biologia da Universidade de Aveiro, plantou trezentos carvalhos-alvarinhos no Parque de Lazer de Valmaior. Para o efeito, aquela associação, com sede em Frossos, contou com o apoio das autarquias locais, mormente da Câmara Municipal, que – e muito bem – reafirmou o seu compromisso de plantar seis árvores por cada uma que seja retirada.


 


Da trapalhada. A pretexto do artigo publicado na última edição deste jornal, narrando o essencial da sessão ordinária da Assembleia Municipal (AM) de 18 de novembro, admito que, por entre as ironias que polvilhavam o texto, os meus olhos se engasgaram quando, de novo, o dossiê da Educação no nosso Concelho foi abordado. No meio da trapalhada envolvendo a opção de requalificar a Escola da Avenida, leio as seguintes declarações imputadas ao Presidente da edilidade: «quando o Presidente da Câmara e a Vereadora da educação vão visitar uma escola com diretores da Direção-Geral dos Estabelecimentos Escolares e não são recebido pelo Presidente da Direção, muita coisa vai mal. Não preciso de dizer mais nada.» (sic)


 


Grave. Muito grave. Esta revelação, sem mais informações de contexto, é de uma gravidade extrema que não pode passar impune, sob pena de a opinião pública local enveredar por especulações que até podem implicar outro tipo de danos. O senhor Presidente terá de colocar o nome à(o) Diretor(a) de Agrupamento visado(a). Partindo da premissa de, em Albergaria, só existirem dois agrupamentos escolares, as respetivas comunidades educativas merecerão - e até reclamarão! - a verdade. Uns, naquela AM, ter-se-ão perguntado: a Câmara estará, afinal, em rutura com um(a) Diretor(a) de Agrupamento da terra? Outros, sucumbindo à tentação de emitir juízos porventura precipitados, acharam-se no direito de questionar: se um(a) Diretor(a) de Agrupamento não aparece para receber o Presidente de Câmara, a Vereadora da Educação e os quadros da Direção-Geral dos Estabelecimentos Escolares, vai aparecer quando?


 


Na hora certa não dizem nada. E o que fará a edilidade, que tem assento em vários órgãos de suma importância? Por exemplo, no Conselho Geral de origem do(a) Diretor(a) abstratamente apontado(a), o que pensa fazer? Ou será que – socorrendo-me até das palavras da Vereadora Catarina Mendes, vertidas no texto acima mencionado, «As pessoas são chamadas a falar e na hora certa não dizem nada»?


 


Caciquismo. Não queria deixar de cumprir a tradição e, com genuína estima, desejo aos prezados leitores um santo e feliz Natal, com um 2017 pejado de coisas boas. Por isso, aqui vai uma reflexão final sobre o que fomos vendo, lendo e ouvindo durante 2016. Mais do que nunca, sentimos e percebemos que vivemos espartilhados por capelinhas, quintinhas pessoais de acesso restrito e por fações que fazem da prepotência a (sua) lei. Algo que António José de Almeida, («Galopins», in Alma Nacional, n° 28, de 18 de Agosto de 1910) assim definiu: «O caciquismo não é um acessório do regime. É o próprio regime. Ou, pelo menos, está para o regime como o coração está para o organismo em que bate: é o aparelho distribuidor da energia e da ação.»


José Manuel Alho


 

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