Enquanto houver ventos e mar...


«Tira a mão do queixo não penses mais nisso


O que lá vai já deu o que tinha a dar
Quem ganhou ganhou e usou-se disso
Quem perdeu há de ter mais cartas pra dar
E enquanto alguns fazem figura
Outros sucumbem à batota
Chega aonde tu quiseres
Mas goza bem a tua rota»


(“A gente vai continuar”, de Jorge Palma)


 


Socorro-me de alguns versos de uma das mais belas e significativas canções de Jorge Palma. Versos que acabam por exaltar muitas das evidências que atravessam a sociedade contemporânea, numa conjugação de verdades terapêuticas que se entranham de tão óbvias. Há muita gente que, ganhando, «usa-se MESMO disso» porque, «enquanto uns fazem figura, outros sucumbem à batota». O trágico mas concorrido fado de quem não sabe enredar-se, com sucesso e eficácia q.b., na opaca malha dos expedientes, cunhas e favores em cobrança permanente. Ainda assim, incumbe aos que ousam não soçobrar, cumprir a canção: «chega aonde tu quiseres, mas goza bem a tua rota». Apesar da batota, do chico-espertismo e de algumas cartas viciadas.


 



 


Depois da trapalhada envolvendo a opção de requalificar a Escola da Avenida e das enigmáticas declarações imputadas ao Presidente da edilidade revelando «quando o Presidente da Câmara e a Vereadora da educação vão visitar uma escola com diretores da Direção-Geral dos Estabelecimentos Escolares e não são recebido pelo Presidente da Direção, muita coisa vai mal. Não preciso de dizer mais nada.» - que aguardam, até hoje, pela competente clarificação - surgem agora, com crescente insistência, estranhos vaticínios sobre a finalidade que aquela obra poderá, afinal, conhecer a médio prazo. Aparentemente, começa a constar que a requalificação acabará por acolher e servir a Universidade Sénior. Verdade ou mentira?


 


Ainda sobre a necessidade de ser claro, assertivo e atuante, recordo as sábias palavras da Vereadora Catarina Mendes, na sessão ordinária da Assembleia Municipal de 18 de novembro: «As pessoas são chamadas a falar e na hora certa não dizem nada.» Impõe-se então saber se a situação, para mal geral, se mantém inalterada ou se o louvor seguidista terá sanado tudo – e parecia ser muito – que ia mal?


 


Tida como uma das mais prestigiadas companhias de Flamenco de Espanha, o Ballet Flamenco de Madrid subiu, na passada sexta-feira, ao palco do nosso CineTeatro ALBA. Tratou-se de uma boa opção de programação para a principal sala cultural do nosso concelho, com o espetáculo “Flamenco Feeling – El Sentimento”, aproveitando o facto de o grupo se encontrar em digressão pelo país. Note-se que o Ballet Flamenco de Madrid nasceu em 2001 como companhia independente de Teatro, convertendo-se, em finais de 2009, numa associação cultural sem fins lucrativos.


 


Boa nota para a edificação de dois novos parques infantis em Pinheiro, freguesia de São João de Loure, e no Jardim de Infância do Campo, em Ribeira de Fráguas, num investimento camarário orçado em pouco mais de 20 mil €uros. Infelizmente, a população parece consentir, com inexplicável permissividade, o crescente desprezo a que este tipo de infraestruturas tem sido votado pela autarquia. De início, o executivo camarário ter-se-á esforçado por aparentar um ímpeto reformador indexando, nos termos da legislação aplicável, a criação de parques infantis à edificação de um punhado de urbanizações. Percebeu-se, entretanto, que a degradação imposta pelo tempo terá desnudado o lirismo que animaria tão nobres propósitos. Ainda hoje, as crianças do concelho mereciam mais e melhor.


 


No caso concreto dos parques infantis, assunto que só interessa a autarcas sensíveis às matérias da infância, cumpre sublimar a importância daqueles espaços para o desenvolvimento pleno, integral e harmonioso das crianças. De igual modo, importa assacar aos poderes públicos a responsabilidade de a todos garantir o direito de brincar e, mais concretamente, o direito de brincar em segurança, contribuindo para a promoção de uma verdadeira cultura de valorização da infância.


 


Em razão do crescimento desmesurado do betão, que nos constrange, a população debate-se com a falta de espaços verdes, a insegurança, a poluição e a falta de tempo de muitos pais para, em circunstâncias satisfatoriamente estruturantes, fomentar atividades lúdicas. Acresce a esta evidência o reconhecimento de que as nossas crianças tendem a passar demasiado tempo em ambientes fechados, sentadas ao televisor, ao computador, comprometendo assinalavelmente o seu desenvolvimento físico, psicológico e social.


 


Albergaria passou a integrar um lote de 168 autarquias que promovem comportamentos efetivamente fomentadores da igualdade e da eliminação da descriminação, de acordo com as orientações da Comissão para a Cidadania e a Igualdade do Género. O Município celebrou um protocolo, com a validade de um ano, de cooperação com a Comissão para a Cidadania e a Igualdade do Género.


 


Aliás, a Igualdade de Género é um predicado de qualquer sociedade que se preze democrática e respeitadora dos Direitos Humanos. O comprometimento das sociedades na construção de uma coletividade mais igualitária é, em primeiro lugar, uma questão de ética e de responsabilidade social. Muitas empresas reconheceram, no século vinte, a premência de investir numa economia verde. Agora é tempo de fazer da Igualdade de Género a aposta dos nossos dias. Assim, tal como aconteceu com a promoção de valores de proteção e sustentabilidade ambiental, a promoção da Igualdade de Género atrai ganhos e proveitos geracionais inestimáveis, ao mesmo tempo que prioriza uma orientação vocacionada para a justiça social, os Direitos Humanos e para a sustentabilidade das sociedades.


 


No meio de tudo isto, e voltando à canção de Jorge Palma, o que importa é que…


 


«Enquanto houver estrada pra andar
A gente vai continuar
Enquanto houver estrada pra andar
Enquanto houver ventos e mar
A gente não vai parar
Enquanto houver ventos e mar»


José Manuel Alho

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