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De 29 de junho a 2 de julho, terá lugar mais uma edição do Albergaria conVIDA. Sem novidades ou novos pontos de interesse. A Quinta da Boa Vista acolherá, por quatro dias, simbólicas mostras de gastronomia regional, algum artesanato e, além do circuito pelas tasquinhas, subirão ao palco Bombino, Paulo Gonzo, The Gift e Dengaz. Tudo como dantes. A oferta de espetáculos não é lá muito abrangente ou impactante. Faltaria maior diversidade e outra capacidade para fidelizar novos públicos.
Porque as curiosidades têm o seu significado se articuladas com o simbolismo de que se revestem, começa a ser recorrente e, por isso, revelador, que muitas das recentes comunicações camarárias venham assinadas não só pelo presidente da edilidade, António Loureiro, mas também pelo seu Vice-Presidente, Delfim Ferreira. Desta feita, aponta-se a Nota de Abertura da Agenda Municipal de abril a julho do corrente ano. Esta deriva bicéfala, mais do que indiciar eventuais dependências pessoais e políticas, poderá não ser tão congregadora como os mais líricos poderiam supor.
Lamentavelmente, a programação para o Cineteatro Alba (CTA) acaba por diluir-se na linha gizada para o cartaz do Albergaria conVIDA 2017. Sem nada de realmente impressivo, salvam-se os espetáculos com António Zambujo e Ivan Lins. No teatro, a oferta é escassa e ancora-se, à falta de mais alternativas, na peça “Filho da Treta”, com José Pedro Gomes e António Machado, e no Espetáculo Anual de Teatro da Jobra e Art’J. O cinema, por seu turno, parece não ter sido lembrado e daí não merecer especial atenção. Infelizmente.
Sobra a notícia de que a «Bilheteira do Cineteatro Alba alarga pontos de venda», amplamente divulgada pela autarquia. A pretexto de um «alargamento dos pontos de venda de bilhetes para os espetáculos» do CTA, que reduziu o horário da bilheteira, informa-se que «desde o início do mês já é possível comprar ingressos no edifício dos Paços do Município e na biblioteca Municipal e também nas lojas Fnac e Worten». Complementarmente, assegura-se que «na Internet, é possível comprar bilhetes na Bilheteira Online.» Pessoalmente, e logo que os espetáculos são publicamente anunciados, tento, de imediato, proceder à sua compra online. Para meu espanto e azar, muitas vezes constato que a esmagadora maioria dos lugares da sala já estará vendida (ou reservada?), restando aqueles lugares que não são alvo do interesse do grande público.
A merecer justificado destaque está, de 2 a 4 de junho, o “Talabrigae ex libris – Festival Romano”, no Parque do Porto Riba da Branca. Trata-se de uma meritória iniciativa que almeja recriar a época romana, com espetáculos de teatro, música, dança, malabarismo, acrobacias, batalhas, artesanato e saborosa gastronomia. De igual modo, boa nota para a 4.ª edição do “Festival do Pão de Portugal”, a realizar de 9 a 11 de junho, na Quinta da Boa Vista/Torreão. Este ano, sobressai o “Trail Rota dos Moinhos – Comigo Ninguém Faz Farinha!”. Por fim, não esquecer o evento “Há Festa na Aldeia”, em Vilarinho de São Roque, Ribeira de Fráguas. Ali se mantém um projeto precursor, dinamizado pela ADRITEM, em comunhão de esforços com o município. Mais uma vez, ressaltará a aposta que prioriza as tradições locais e a participação ativa da população, numa genuína viagem às raízes mais ancestrais daquele território.
Reportando-me ainda à Nota de Abertura do mais recente número da Agenda Municipal, centrada nos eventos de abril a julho, não deixa de ser curioso o último parágrafo que anuncia, para agosto, o concerto com o grupo Fanfarra Kaústica para «assinalar a comemoração do Feriado Municipal». Das duas uma: ou o mês de agosto, em que somos (re)visitados pelos nossos emigrantes, será de novo pautado pela ausência de animação mainstream, mormente no terceiro fim de semana daquele mês, ou a programação para o novo Mercado Municipal, cuja imponência exige pronta validação, acolherá múltiplas iniciativas ainda por revelar. Mas, antes disso, importaria saber se o novo mercado será autossustentável e verdadeiramente aliado dos pequenos e médios agricultores e empresários albergarienses ao ponto de ali se garantir o escoamento dos seus produtos.
De 29 de junho a 2 de julho, terá lugar mais uma edição do Albergaria conVIDA. Sem novidades ou novos pontos de interesse. A Quinta da Boa Vista acolherá, por quatro dias, simbólicas mostras de gastronomia regional, algum artesanato e, além do circuito pelas tasquinhas, subirão ao palco Bombino, Paulo Gonzo, The Gift e Dengaz. Tudo como dantes. A oferta de espetáculos não é lá muito abrangente ou impactante. Faltaria maior diversidade e outra capacidade para fidelizar novos públicos.
Encerro com uma estimulante reflexão de Antero de Quental, que nos exorta a burilar a sociedade que realmente buscamos: «A DEMOCRACIA não é uma palavra vã … é a Igualdade Social e Económica, tendo por instrumento a Liberdade Política. É a partilha justa, entre todos os membros da sociedade, dos bens materiais, como garantia duma igual distribuição dos bens morais entre todos. É a ponderação das forças sociais, feita pela lei e pelo pacto livre, em vez de ser feita pelo acaso cego, pela luta fratricida, pelo equilíbrio, a cada momento instável, da concorrência. É o trabalho considerado, definitivamente e realmente, a única base do Estado. É a lei feita, enfim, por todos, em serviço de todos. É o povo chamado ao banquete olímpico da Instrução, da Prosperidade e da Moralidade … Em duas palavras: o povo pede que o deixem ser homem …» - DEMOCRACIA, Antero de Quental, Almanak para a Democracia Portuguesa, 1870.
José Manuel Alho
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