Outro discurso. Acima de tudo, outra postura.


(IN)Segurança


Mais do que repudiar a crescente onda de acontecimentos que atentaram contra a segurança de pessoas e bens no nosso Concelho, quero associar-me à dor e à revolta justificadas das vítimas. Em particular, de alguns funcionários camarários que viram os seus carros riscados e até furtados, como foi o caso de um jipe de um topógrafo, que, estacionado junto à estação dos caminhos-de-ferro, desapareceu por obra e arte de um temerário do alheio.



Longe destes concidadãos íntegros a pífia tentação de se precipitarem para as redes sociais, num tosco exercício de vitimização tão hipócrita quanto prenho de oportunismo.


 



Vítimas que alguns têm convenientemente por anónimas porque, no seu requintado quotidiano, pouca ou nenhuma importância lhes dão. Mas são gente. Gente de carne e osso, que trabalha para honrar os seus compromissos e se esforça por levar uma vida honesta. Gente crescida, que há muito deixou os cueiros e, por isso, soube como atuar: formalizou as competentes participações junto das entidades a quem incumbe investigar e resolver tão graves ocorrências. Longe destes concidadãos íntegros a pífia tentação de se precipitarem para as redes sociais, num tosco exercício de vitimização tão hipócrita quanto prenho de oportunismo.



Infelizmente, junta-se a este triste cardápio de atos criminalmente puníveis, os assaltos a estabelecimentos abertos (e com os clientes presentes!), aos CTT de Albergaria, à caixa Multibanco de Angeja, aos armazéns da Câmara, não ignorando os furtos a vivendas, prédios e garagens anexas.


 


Para já, opto por não me reportar aos números da violência doméstica, ainda que faça notar o facto de, atualmente, para existir o impulso processual, basta a denúncia, por qualquer pessoa que tenha conhecimento da prática do crime. Malogradamente, muitos não o fazem, por medo de represálias.


 


Em face do exposto, cresce o número dos que se apressam a reivindicar mais homens e melhores meios para a GNR para, entre outros, aumentar o efeito dissuasor das patrulhas. Há mesmo quem se queixe dos despachos de arquivamento, usualmente ditados, comentam, por falta de provas. Mas tem de haver, num Estado que se preza de direito, caminhos e soluções mais estruturados, ponderados e viabilizados por quem tem o especial dever de trabalhar em rede para garantir a segurança de pessoas e bens. Temos de CONFIAR na determinação e competência de quem, diariamente e no terreno, lida com tão sensíveis matérias. Ademais, este é um tema demasiado sério e delicado para ser esguichado, com motivações habitualmente inconfessáveis, para o caldeirão das redes sociais.


 


Mais do que enveredar por posturas lamechas ou pela soez capitulação a derivas securitárias, saibamos, todos, assumir uma postura e ação institucionais, que favoreçam a sempre nobre prossecução do interesse público que, estou certo, melhor responderá aos anseios das populações. Tem de ser esse o discurso. Tem, acima de tudo, de ser essa a postura.


 


Nem de propósito! Na sequência do meu último texto, intitulado “Aproximar Inovando”, versando a temática de os sítios das Câmaras Municipais na internet terem ganho importância crescente ao ponto de o fosso entre as autarquias digitais e as outras ser, recorrentemente, um poderoso indicador de modernidade, transparência e eficácia gestionárias, surgiram, entretanto, novos dados.


Com efeito, teve lugar, em Lisboa, a apresentação púbica dos resultados da IX edição do índice da presença na internet das câmaras municipais 2016 (Ipic2016), numa investigação dinamizada pelo departamento de sistemas de informação da Universidade do Minho, através do GÁVEA – Laboratório de Estudos e Desenvolvimento da Sociedade da Informação.



Mais do que enveredar por posturas lamechas ou pela soez capitulação a derivas securitárias, saibamos, todos, assumir uma postura e ação institucionais, que favoreçam a sempre nobre prossecução do interesse público que, estou certo, melhor responderá aos anseios das populações.


 



 


Estamos perante um estudo efetuado aos sítios Web das câmaras municipais portuguesas, realizado com o intuito de retratar o estado da modernização Web das câmaras municipais e do nível da sua relação eletrónica com os munícipes. Trata-se de mais uma edição de um estudo bienal que é realizado desde 1999 pelo GÁVEA. O período de recolha e avaliação a que se reporta esta pesquisa teve lugar em finais de 2014 e início de 2015. O processo de recolha foi executado por observação direta dos 308 sítios Web que se encontravam acessíveis para análise naquele período. Nesta investigação, à semelhança das duas edições anteriores, foram identificados endereços Web para as 308 câmaras municipais existentes em Portugal.


 


No que respeita ao caso concreto de Albergaria, no item «Serviços Online», a edilidade desceu 115 lugares (!) - passou de 26 (2012) para 141 (2014).


Na vertente «Tipo e atualização», o descenso foi ainda mais acentuado e cifrou-se num abaixamento de 193 lugares (!!) - passou de 80 (2012) para 272 (2014). Factos. E é dos factos que reza a História.


 


Insisto: em razão das exigências contemporâneas, afigura-se incompreensível que não se tenha cumprido a promessa de revitalizar o website da autarquia, promovendo a democratização de conteúdos pela internet para, no essencial, comunicar, de forma direta, com os munícipes, com os visitantes e simpatizantes da nossa sua terra. Por isso, mantenho: preocupa-me o site da nossa Câmara Municipal. Atualmente, o sítio está inexplicavelmente pesado, enfadonho, com uma navegação nada fluída ou atrativa.


José Manuel Alho

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