Natal, lixo e mentira.

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Foto: Município de Albergaria-a-Velha

 


Lugar das Cores/2017. A tradicional festa natalícia, que teve o seu início com a chegada do Pai Natal, no passado dia 16 de dezembro, trouxe uma novidade quando a organização optou – e muito bem! – por centralizar o evento na Praça Alameda 5 de Outubro, cravada no centro cívico da cidade. A programação, ainda que suscetível de aperfeiçoamentos vários, foi diversificada, abrangente e atrativa, virtudes acentuadas pelas condições climatéricas favoráveis. Destaques merecidos para a pista de gelo, os carrosséis, o circuito go carts, bem como para o trenó e a Casa do Pai Natal. A valência ponderada para a doçaria regional, assegurada por associações do Concelho, entretanto conjugada com a área de artesanato local, as mascotes, e a iluminação festiva, emprestaram à iniciativa um registo diferenciador por comparação ao que vinha sendo hábito.



No espetáculo FRAGMENTOS, que lotou o CTA, a edilidade primou pela ausência. Empobreceu a iniciativa quando deixou lugares vagos. Nem o presidente de Câmara nem um dos seus vereadores, enquanto representantes da organização, achou necessário ou relevante associar-se a tão portentosa manifestação artística. Feio. Desnecessário. A CulturAlb merecia (muito) mais.


 



No aproveitar está o ganho. De facto, esta mudança, que beneficiou o Lugar das Cores, ocorre na sequência das propostas oportunamente aduzidas pelo PSD/Albergaria que, em vários momentos, insistiu na dinamização deste tipo de atividades naquele espaço público como forma de captar e promover o comércio local. Uma vez mais se comprova que de nada vale estigmatizar as propostas oriundas de outros quadrantes e agentes. As boas ideias podem – e devem! – ser aproveitadas quando meritórias e portadoras de mais-valias. Em alguns casos, até pode ser sinal de inteligência.


 


Lugares vazios. A sala principal do CineTeatro ALBA (CTA) acolheu ainda a Gala de Circo, organizada pela AlbergAR-TE, o espetáculo FRAGMENTOS, viabilizado pela CulturAlb, à base de dança e ginástica rítmica, e a longa-metragem de animação Coco, que contou com a animação cultural protagonizado pela aCAdemia de Dança do Clube de Albergaria. A este propósito, um reparo que julgo pertinente. No espetáculo FRAGMENTOS, que lotou o CTA, a edilidade primou pela ausência. Empobreceu a iniciativa quando deixou lugares vagos. Nem o presidente de Câmara nem um dos seus vereadores, enquanto representantes da organização, achou necessário ou relevante associar-se a tão portentosa manifestação artística. Feio. Desnecessário. A CulturAlb merecia (muito) mais.


 


Lixo, lixo, lixo… que postal de Natal! Um serviço que sai (muito) caro aos munícipes. De novo, existem razões de queixa. Ainda que a falta de civismo de alguns ajude, em parte, a explicar o cenário conspurcado que a cidade viveu durante as festas deste final de ano, o certo é que parece não ter sido ponderada uma abordagem proporcionada às exigências da quadra. À semelhança de outras datas certas no calendário, onde se pode antecipar um incremento acentuado da acumulação de lixos urbanos, estranha-se que não tenha sido desenhada uma resposta adequada ao interesse público. Lamentável.



Ademais, é assim que se honram os mandatos, fazendo da proximidade com os eleitores uma prática que vai muito além da demagogia de quem, (somente) em véspera de eleições, se lembra de "auscultar as populações".



 


Desmentidos com perna curta. No decorrer da última Assembleia Municipal, dei conta da crescente preocupação que, há largos meses, vem assolando residentes e comerciantes de algumas zonas nevrálgicas da nossa cidade (ruas Gonçalo Eriz, Egas Moniz, Eugénio Ribeiro e avenida [?] D. Teresa) em face das múltiplas obras que, em simultâneo, têm acarretado pesados constrangimentos e elevados prejuízos.


 


Fi-lo porque sou sensível às questões que afetam os meus concidadãos, até porque deles recebi numerosas solicitações para que confrontasse o Senhor Presidente de Câmara com estas matérias em busca de esclarecimento(s).


 


Ademais, é assim que se honram os mandatos, fazendo da proximidade com os eleitores uma prática que vai muito além da demagogia de quem, (somente) em véspera de eleições, se lembra de "auscultar as populações".



Para memória futura, fica o ensinamento: não há desmentido que resista à força da imagem e dos factos.


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Sem surpresa, o Senhor Presidente de Câmara, no seu jeito porventura ajambrado, optou por NÃO responder à esmagadora maioria das perguntas que lhe coloquei. Uma prática que, segundo me dizem, estará longe de ser raríssima.


 


Contudo, fez questão de, por duas vezes, me desmentir quanto à intervenção que (efetivamente) sofreu a rua Eugénio Ribeiro, origem de várias ocorrências que até danificaram viaturas de residentes. Foi claro e altivo quando, reiteradamente, afirmou: «a rua Eugénio Ribeiro não está a ser intervencionada».


 


Perplexo e constatando a revolta de alguns populares que se encontravam nas galerias, vi-me obrigado a repor a VERDADE. Mais do que me deslocar, de novo, à supramencionada rua, recebi, logo no dia seguinte, as fotos que publiquei numa rede social atestando  vera veritas a intervenção a que sempre aludi. Para memória futura, fica o ensinamento: não há desmentido que resista à força da imagem e dos factos.


 


José Saramago, a pretexto da VERDADE, escreveu um dia: «O tempo das verdades plurais acabou. Vivemos no tempo da mentira universal. Nunca se mentiu tanto. Vivemos na mentira, todos os dias.»


Não podendo, em consciência, contraditar a essência desta reflexão, não aceito, no entanto, vergar-me aos ditames da mentira.


José Manuel Alho

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