Albergaria-a-Velha. Do bronze à água.

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 Foto: Município de Albergaria-a-Velha



A estátua, com 2 metros de altura, da Rainha D. Teresa, uma obra do artista Hélder Bandarra, (...) ainda que inaugurada a 11, foi formalmente requisitada a 13 de novembro a uma empresa de Vila Nova de Gaia. E custou, por ajuste direto, 14.760,00 €uros, desconhecendo-se ainda o valor pago pela conceção/criação artística.


 



«A escola (tipo ‘Fame’) que pôs uma pequena vila portuguesa no mapa-mundo das artes» - Foi este o título do destaque dispensado, na edição do passado dia 9, pelo Notícias Magazine à JOBRA (da combinação das primeiras sílabas das palavras “JOvens” e “BRAnca”), «a única escola profissional do continente que junta teatro, música e dança. A primeira no país a abrir um curso técnico de Instrumentista de Jazz e que, neste momento, tem no total 678 alunos de 67 concelhos.» Merecido tributo para um dos mais estimados baluartes albergarienses, nascido a 8 de dezembro de 1969. Com uma ação que tem implicações muito favoráveis na economia local, mormente nos setores do comércio, da restauração e do imobiliário, a vocação humanista da JOBRA, tendo em vista «o desenvolvimento de uma sociedade mais crítica, solidária e culturalmente enriquecida», há muito que ultrapassou as fronteiras do nosso Concelho para, neste momento, ser uma referência incontornável no campo das artes de palco. Chapeau!


 


Comemorações dos 183 anos do Concelho de Albergaria-a-Velha. Sem novidades ou grandes inovações, cumpriu-se o calendário ponderado pelo atual executivo camarário. Um dossiê que abordaremos oportunamente. Contudo estas comemorações não podem dissociar-se das celebrações dos 900 anos de Albergaria-a-Velha, que teve como ponto alto, a 11 de novembro de 2017, a inauguração da estátua da Rainha D. Teresa.


 


Estátua em bronze custou 14.760,00 €uros. A estátua, com 2 metros de altura, da Rainha D. Teresa, uma obra do artista Hélder Bandarra, colocada junto à antiga Estrada Real e perto do local da albergaria original mandada erguer pela mãe de D. Afonso Henriques, ainda que inaugurada a 11, foi formalmente requisitada a 13 de novembro a uma empresa de Vila Nova de Gaia. E custou, por ajuste direto, 14.760,00 €uros, desconhecendo-se ainda o valor pago pela conceção/criação artística.


 


Não discuto os méritos da iniciativa. Não questiono a justiça da homenagem. Mas deixo à consciência dos cidadãos livres e descomprometidos o julgamento do valor total despendido nesta empreitada – que está longe de ser despiciendo - se considerarmos que temos, durantes largos meses, ruas que não são limpas, atoladas em lixo tardiamente recolhido, sarjetas entupidas, estradas degradadas, escolas do 1.º Ciclo com velhos computadores RECONDICIONADOS, em salas SEM quadros interativos, entre outras “medalhas” que pouco terão a ver com a realeza.




Água a preço d’Ouro. A partir dos Tarifários da AdRA, do INE e do OE para 2018, a água, para os albergarienses, aumentará 1,6% tendo por referência o Escalão 1 a 5 m3. De facto, já lá vai o tempo em que se dizia que «o preço da água era uma pouca-vergonha» para logo a seguir prometer – vencendo eleições à custa disso – a sua redução.


Acresce a tudo isto o facto de António Loureiro (AL) ser Administrador da AdRA - entretanto reconduzido para novo mandato (de mais 3 anos) – onde poderia exercer um genuíno magistério de influência. Poderia. De resto, importa sinalizar, em jeito de alerta, que o Plano de Investimentos delineado aquando do Contrato de Concessão se tem vindo a atrasar significativamente. Há quem garanta que Albergaria tem sido preterida. Todos vamos assistindo, através do Facebook do Presidente da AdRA, à forma como acompanha e inaugura obras em vários concelhos, sobressaindo o caso de Ovar. De pouco valerão algumas aparições de charme quando – à exceção da renovação da rede na Alameda 5 de Outubro e agora na obra da rua Egas Moniz – pouca obra se vê, designadamente no que concerne à criação de novas redes.



Desde 2013, (…) o preço da água só conheceu um movimento – o da subida. Consecutivos aumentos, sempre (bem) acima da inflação, têm sobrecarregado os albergarienses de uma forma assaz violenta e desproporcionada tendo em consideração a qualidade dos serviços prestados à população.


 



O problema é que se prometeu a sua diminuição antes de chegar ao poder e fez-se o seu contrário quando lá se chegou. Desde 2013, altura em que AL passou a ser presidente da edilidade, o preço da água só conheceu um movimento – o da subida. Consecutivos aumentos, sempre (bem) acima da inflação, têm sobrecarregado os albergarienses de uma forma assaz violenta e desproporcionada tendo em consideração a qualidade dos serviços prestados à população. Muito fraca. Em abstrato, muito do descrédito a que está votada a classe política tem precisamente como origem esta tendência suicida de prometer tudo a toda a gente para, mais tarde, enrolar a língua e fazer o seu contrário. Os cidadãos merecem respeito.


 


Doar um livro é um ato de solidariedade. A Câmara Municipal de Albergaria-a-Velha assinalou, no passado dia 14, o Dia Internacional da Doação de Livros, «com a assinatura de 69 protocolos de doações relativos a diferentes recursos – livros, periódicos, CD, DVD – oferecidos por particulares à Biblioteca Municipal.»


A data, recorde-se, foi sugerida por um americano de 6 anos, em 2011, quando estimulou familiares e amigos a trocarem livros entre si. A iniciativa inspirou sua mãe a organizar a comemoração internacionalmente, conseguindo, a cada ano, envolver mais pessoas e países.


Portugal carece (ainda) de leitores. Infelizmente, os livros mantêm-se caros para uma grande parte do povo. E muitos não têm sequer interesse em ler. Desta forma, aceitamos o edificante papel de espalhar sementes: quem sabe se alguns destes livros não seduzirão uma ou mais pessoas ao ponto de se transformarem em leitores assíduos e competentes? De resto, partilhar um livro estimado - mas entretanto esquecido na estante - com o outro é um ato nobre, da mais pura solidariedade.


José Manuel Alho


 

Comentários

  1. A Estátua poderá tornar-se um ex-libris de Albergaria-a-Velha e esperemos que o espaço em volta (Avenida) fique melhor. Não me parece que o dinheiro tenha sido mal gasto. De certeza que alguns contratos de publicidade ou consultoria poderiam ser diminuídos em montantes semelhantes. Não conhecendo os contornos da requisição que agora aparece adivinho que o executivo tenha feito um contrato comercial e não tenha tido o cuidado de o registar como contrato publico http://www.base.gov.pt/Base/pt/Pesquisa/Entidade?a=1483.

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