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Foto: Município de Albergaria-a-Velha
No passado dia 14, teve lugar a inauguração do novo mercado municipal, agora chamado “A Praça”. Segundo a edilidade, «a obra contemplou um investimento de cerca de um milhão e setecentos mil euros, e teve financiamento dos fundos comunitários, através do Programa Operacional Centro 2020». Luís Tavares Pereira é o autor do projeto de requalificação, que contempla espaços de venda, de restauração, entre lojas de comércio/serviços e nove bancas com abertura para a praça central.
Os custos de um ano que quase virou… dois! Infelizmente, para uma obra com um prazo de execução de 365 dias e um contrato escrito de empreitada celebrado a 7 de julho de 2016 (!), é credor da maior inquietação o facto de (só) ter sido oficialmente inaugurada em abril de… 2018.
As contas da requalificação do mercado NÃO estão fechadas. Em Albergaria, a intervenção falhou OSTENSIVAMENTE nos capítulos do estacionamento e do incremento do comércio.
Fatores de atratividade: o alargamento do horário de funcionamento, o serviço de carrinhos para efetuar as compras no mercado, as entregas ao domicílio.
Quantos clientes conseguirá “A Praça” desviar das superfícies comerciais já existentes em Albergaria?
Na verdade, a adjudicação do preço da requalificação da obra foi de 1.499.171,93 € (com IVA). No entanto, o PREÇO FINAL da obra até ao momento (montante provisório) é de 2.341.673,05 € (com IVA), valor que inclui todas as despesas relacionadas, diretamente e indiretamente, com o mercado, de acordo, aliás, com a informação prestada na reunião de Câmara, de 7 fevereiro passado.
Mesmo tratando-se de uma empreitada há muito legitimamente reclamada pela população, cujo impacto inicial – não duvidamos – deverá ser positivo, importa alertar a opinião pública que as contas atinentes à requalificação do mercado NÃO estão fechadas porque:
- Falta apurar, em detalhe, os montantes, que se presumem elevados, a serem pagos em razão de trabalhos adicionais porque, desde fevereiro, o mercado continuou a receber, em volume considerável, mais obras cujo valor final só deverá ser conhecido no futuro próximo.
- Falta pagar o posto de transformação de energia + cabine + transporte de energia, uma quantia bruta que até poderá ultrapassar o preço de um Mercedes de gama alta;
- Falta conhecer como se vai pagar às empresas de fiscalização e de arquitetura e de que ordem de valores estaremos a falar.
- Falta perceber como é que existem duas empresas a alugar a mesma tenda e qual o valor a pagar pela ultrapassagem dos prazos, estimada em quase dois meses.
- Falta saber qual o valor a pagar pelo aluguer, durante aproximadamente dois meses, dos monoblocos, i.e., bancadas de venda individual fora da tenda, como os talhos.
Em resumo, além dos prazos terem sido claramente ultrapassados, ainda teremos de esperar para saber se existirão trabalhos a mais, trabalhos a menos, erros ou omissões porque, em princípio, afigura-se provável que os valores finais possam ser (muito) mais elevados do que os agora revelados.
A questão do estacionamento. Aos novos mercados municipais aplicou-se uma nova estratégia que assenta na fidelização dos cidadãos, através da criação de infraestruturas no centro das cidades, nomeadamente ao nível de estacionamento, ruas pedonais e respetiva dinamização do comércio local. Em Albergaria, a intervenção parece ter falhado OSTENSIVAMENTE nos capítulos do estacionamento e do incremento integral e harmonioso do comércio envolvente.
Em rigor, investimentos tão avultados não poderão – como aparenta verificar-se no caso albergariense - confinar-se a simples projetos de intervenção física no edificado e abertura de espaços âncora para trazer pessoas aos mercados. É crucial intervir de forma combinada na organização, na gestão, e, sobretudo, no maior veículo de comunicação que é o marketing. Neste particular, não confundir marketing com a manobra propaganda ponderada para esta inauguração. De gosto muito questionável.
Apesar de os mercados terem algumas vantagens competitivas, nomeadamente ao nível da qualidade dos produtos frescos e da relação de proximidade vendedor-consumidor, assoma-se o imperativo de viabilizar outros fatores de atratividade como formas de fidelização do cliente. A saber: o alargamento do horário de funcionamento, o serviço de carrinhos para efetuar as compras no mercado, as entregas ao domicílio, a realização de eventos de dinamização dos espaços e campanhas de promoção.
De momento, o que se pode antecipar n´”A Praça”, na maioria destes domínios, não antecipa nada de tranquilizador. Resta até saber quantos clientes conseguirá desviar das superfícies comerciais já existentes em Albergaria. Ademais, afiguram-se excecionalmente dispendiosos os encargos com a manutenção de um equipamento à base de ferro e vidro.
Falta dinheiro nas ATM da Branca. Acumulam-se os relatos de falta de dinheiro nos dois terminais de levantamento de dinheiro, abreviadamente designados de ATM, da vila da Branca. Novos e velhos, com maior ou menor dificuldade, têm experimentado a frustração de regressarem de mãos vazias. Uma situação que penaliza fortemente a economia local, com danos e implicações que urge valorar cabalmente. Numa altura em que também cresce o rumor que aponta para o encerramento da estação dos Correios local, conjugada com a descida consistente da população eleitora naquela freguesia, cumpre dar voz à exortação de Alírio Silva, jornalista branquense: «Por favor, não matem a nossa Branca!»
José Manuel Alho
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