Albergaria. As contas são como o algodão: não enganam!


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Foram apreciados, na reunião de Assembleia Municipal, ocorrida no passado dia 27, com adiamento para ontem, dia 2, os Documentos de Prestação de Contas do Município de Albergaria-a-Velha, relativos ao exercício de 2017.


 


Confesso a minha PREOCUPAÇÃO e SURPRESA com tão expressivas evidências. E factos são factos. De que adianta(ria) escondê-los, camuflá-los ou, simplesmente, negá-los? Em boa verdade, as contas, na aceção mais pura do termo, são como o algodão. Não enganam. De forma objetiva, importa então assinalar o seguinte:


 



  • Confirma-se que a Prestação de Contas valida tudo o que se disse aquando da discussão do Plano de Atividades e Orçamento, nomeadamente a aposta na despesa corrente em detrimento da despesa de capital;

  • Constata-se que este executivo, desde de 2014, já acumulou resultados líquidos negativos no valor de -6 055 381,09 €;

  • Conclui-se que o resultado operacional muito negativo, -1 658 601,49 €, no ano de 2017, revela, afinal, que os Proveitos e Ganhos (excetuando os financeiros e os extraordinários) foram de 11 853 340,53 €, muito inferiores aos Custos e Perdas, que foram de 13 511 942,02 €;

  • Regista-se que o resultado líquido do exercício de 2017 é negativo em 805 690,51 €;

  • Destaca-se um aumento de 7% de Dívidas a Terceiros de Médio e Longo Prazo, donde se destacam as dívidas a 31 de dezembro de 2017 a:


 



  1. ERSUC aumento de 25 739,44 €;

  2. AdRA aumento de 17 981,97 €;

  3. ADRITEM aumento de 25 000,00 €;

  4. Fundo de Apoio Municipal de 424 422,87 € (mantém o valor em dívida de 2016);

  5. SIMRIA de 357 958,06 € (mantém o valor em dívida de 2016);


 



  • Sobressai um aumento das Dívidas a Terceiros (inclui os empréstimos) de cerca de 9,3 % − 458 842 € − valor bem superior ao aumento dos empréstimos que foi de 332 586 € (Dívidas a Terceiros em 2016 = 4 932 158 € / em 2017 = 5 391 000 €);

  • Ressalta um aumento do valor pago em horas extraordinárias na ordem dos 79,3 % (!) relativamente ao ano de 2013 (passou de 29 969,39 €, em 2013, para os 53 865,63 € em 2017).


 


Em conclusão – e como sempre asseverei - verifica-se um aumento da receita de IMI, que, comparativamente, representa mais 19 % de IMI cobrado no quadriénio de 2014/2017 relativamente ao quadriénio 2010/2013 (IMI cobrado em 2014/2017 = 10 314 947,25€ / IMI cobrado em 2010/2013 = 8 665 735,58 €, ou seja, mais 1 649 211,67 €), que não se traduziu em obra, aliás, bem pelo contrário, com mais receita houve muito menos investimento em obra no período em apreço.


 


Outros dados. Curiosidades que impressionam. Um aumento em cerca de 147 % (!) do valor pago em prémios, condecorações e ofertas relativamente ao ano de 2013 (passou de um valor de 13.721,48 €, em 2013, para um valor de 33.857,76 € em 2017). Um aumento em cerca de 143 % (!) do valor pago em Publicidade relativamente ao de 2013 (passou de um valor de 32.359,88 €, em 2013, para um valor de 56.307,69 € em 2017). Um aumento da receita, em cerca de 69 % (!), no ano de 2017, referente à aplicação taxas, multas e outras penalidades (2016 = 93.874,11 €, 2017 = 158.357,21 €). Dinheiro. Muito dinheiro.

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