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Impressões do Verão
Vislumbres de famílias anestesiadas – As férias trouxeram de novo a possibilidade conhecer novos destinos, descobrir outros lugares e de apreciar tendências que julgávamos confinadas a um determinado contexto. Vem isto a propósito de a cada hotel, a cada restaurante ou outro espaço de convivência partilhada assomar-se a má criação de alguns pequenos que parecem contar com a omissão dos graúdos. Os petizes falam aos berros, socorrendo-se de um vocabulário pobre mas burgesso, desrespeitando limites ou regras elementares de comportamento, num rosário de condutas merecedoras de vigorosa censura social. À mesa, não existe interação. Uns e outros refugiam-se nos telemóveis ou nos tablets, compondo um cenário despido de afeto, proximidade ou da mais ténue cumplicidade. Alguns Pais – ou progenitores – agem como se os filhos não fossem seus, ao ponto de se presumir que desejariam passar despercebidos ao olhar de terceiros, demitindo-se de sinalizar, ajustar ou modelar atitudes ou reações ostensivamente repreensíveis.
Crianças anestesiadas, adultos distantes – Esta forma de encarar a formação e o crescimento de crianças e jovens vai sair-nos cara. Não estamos perante alguma forma de desenvolvimento porque este modelo de autocentrismo pode, no imediato, anestesiar impulsos tidos por inoportunos, mas acabará por criar cidadãos frios, distantes e, o mais grave, incapazes de perceber os interesses e as necessidades do outro. Há duas décadas que o Estado tem optado por sobrecarregar a Escola com toda a sorte de atribuições. Lá no fundo, remeteu para a Escola os problemas que não sabe ou não quer resolver, sem sequer cuidar de investir em mais e melhores recursos. Esta deriva populista, que traz votos, fragilizou a autoridade dos Professores e desvirtuou a função da Escola. De forma mais ou menos encapotada, está a pedir-se à Escola que substitua a Família. Daí que se tente inculcar a falsa impressão que o sucesso está sempre ao alcance de todos, independentemente do esforço ou compromisso em prol das aprendizagens. A aplicação e a humildade parecem cada vez mais estar em desuso. Atira-se: não se pode dizer NÃO às crianças porque ficariam traumatizadas. As crianças não podem ser retidas porque se afetaria a sua autoestima. A (falta de) educação trazida de casa passou a ter um valor meramente simbólico. Lamentavelmente, assistimos à tentativa, absolutamente perniciosa, de transferir atribuições da Família para a Escola, desresponsabilizando a primeira. Tão assumido desvario trará implicações severas, de que todos padeceremos enquanto sociedade.
Incêndios com o discurso do costume – Ainda que sem o dramatismo de outros anos, voltámos a ser fustigados com um punhado de grandes incêndios. Uma nota de merecido reconhecimento para os Bombeiros de Albergaria que muito nos honraram quando, em missão, marcaram presença no combate às chamas nos incêndios de Santarém, Monchique e Silves. Entretanto, demorou pouco tempo para escutarmos velhos diagnósticos que denunciam ausência de coordenação ou insuficiente articulação de recursos. Dos políticos, mormente dos governantes, sobrou hipocrisia. Falaram da premência de revitalizar o interior, impedindo a sua desertificação. Em tese, este discurso é consensual, mas não pode ser unicamente apregoado no Verão para consumo da populaça. No resto do ano, não se pode – nem podia! – decretar o encerramento de escolas, urgências, repartições de finanças, estações dos Correios e até de agências do banco do Estado. A esquizofrenia política tem perna curta. E o povo não gosta de ser tomado por parvo.
Feriado Municipal negligenciado – Ainda não foi em 2018 que o feriado municipal mereceu uma programação condigna, que assinalasse o dia a nível local e regional. Conhecida como a «Segunda-feira da Senhora do Socorro», pelo facto de, nesse dia, as famílias rumarem ao Bico do Monte com as tradicionais merendas para celebrar a festa à Nossa Senhora, a data parece nada dizer à maioria dos albergarienses. Está desvalorizada. O facto de ser em agosto não pode justificar tamanha omissão. A bem da memória histórica, cumpriria exaltar tão relevante dia para difundir o melhor que Albergaria tem e pode oferecer. Infelizmente, e à semelhança do que há anos acontece nos meses de julho e agosto, a programação inexiste ou é manifestamente insuficiente. Conhecer o nosso passado e valorizar a nossa História é um atributo dos que sentem a terra. Um desígnio que merece investimento.
Lixo e… mais queixas – Começa a ser recorrente. Um pouco por todo o Concelho, repetiram-se as queixas atinentes à recolha do lixo. O assunto já foi por mim abordado neste jornal pelo que mantenho a minha perplexidade. Lembro que se trata de um serviço que sai (muito) caro aos munícipes. Ainda que a falta de civismo de alguns ajude, em parte, a explicar o cenário conspurcado que se viveu durante este período, o certo é que parece não ter sido ponderada uma abordagem ajustada às exigências da época. À semelhança de outras datas certas no calendário, onde se pode antecipar um incremento acentuado da acumulação de lixo doméstico, estranha-se que não tenha sido desenhada uma resposta adequada ao interesse público. Lamentável.
ARMAB alcançou o 1.º lugar na Primeira Secção do 132.º Certamen Internacional de Bandas de Música Ciudad de Valencia – A Associação Recreativa e Musical Amigos da Branca voltou a encher-nos de orgulho, elevando bem alto o nome de Albergaria, desta feita em Espanha. Com efeito, foi a primeira banda portuguesa a alcançar o 1.º prémio naquele importante Certame Internacional. Sob a direção do Maestro Paulo Martins, conquistou um total de 370 pontos em 400 possíveis! Notável.
Andou bem o Município quando aprovou, por unanimidade, na primeira Reunião de Câmara do mês de agosto, um voto de louvor à ARMAB, assinalando para o efeito «Mais uma vez, a Associação honrou o Município de Albergaria-a-Velha com uma exemplar atuação, da qual resultou o primeiro lugar num concurso que é o mais antigo e importante concurso de bandas no mundo». A ver vamos se este paradigma de qualidade e compromisso em favor da Cultura passará do formalismo de umas quantas linhas de texto para a disponibilização de um apoio mais efetivo e devidamente proporcionado aos serviços já prestados…
José Manuel Alho
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