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Atingido o ponto de não retorno. A Unidade de Saúde Familiar (USF) de Albergaria-a-Velha esteve encerrada na manhã do passado dia 17 de setembro, devido a falta de técnico administrativo. Mesmo que alguns se apressassem a desvalorizar a gravidade do sucedido, o certo é que atingimos um ponto de não retorno que atesta a degradação da rede pública dos serviços de Saúde no Concelho. O que muitos sempre tiveram por impossível aconteceu: uma multidão de utentes ficou sem consulta médica porque um funcionário administrativo não foi substituído a tempo.
Parte crescente da população do Município, em função das evidências que vai cruzando, começa a temer uma eventual agenda escondida, que passaria – com a conivência do atual executivo camarário – pelo encerramento concertado de várias extensões de saúde. Pergunta-se: alguma das unidades de Angeja, Ribeira de Fráguas, Alquerubim e até de São João de Loure corre risco de fechar?
Que estratégia para a Saúde no Concelho? Pelo mesmo motivo, a Unidade de Saúde Familiar de Ribeira de Fráguas já havia fechado portas. São demasiados casos para consentir a desresponsabilização da Câmara Municipal, fingindo que nada se passa. Afinal, que contribuinte se oporia ao envolvimento da edilidade na prevenção e resolução destes problemas? Mais do que nunca, assoma-se o imperativo de conhecer o diagnóstico e o pensamento estratégico do atual Presidente de Câmara para a Saúde no Concelho. Enfrentamos circunstâncias que exigem sensibilidade, estratégia e absoluta intransigência na defesa da rede de cuidados de Saúde que tanto custou a implementar e a manter tal qual hoje a conhecemos.
Agenda escondida? Parte crescente da população do Município, em função das evidências que vai cruzando, começa a temer uma eventual agenda escondida, que passaria – com a conivência do atual executivo camarário – pelo encerramento concertado de várias extensões de saúde. Pergunta-se: alguma das unidades de Angeja, Ribeira de Fráguas, Alquerubim e até de São João de Loure corre risco de fechar? Alerto para as manobras perpetradas sob a capa de um falso redimensionamento ou a pretexto de uma sempre cavernosa otimização de recursos. Qualquer resolução, ou opção, que altere o atual desenho estrutural dos cuidados de Saúde em Albergaria, não poderá (nunca) ser decidida em circuito fechado, sem o envolvimento esclarecido e informado da Assembleia Municipal e de toda a Câmara Municipal.
As populações não podem ser abandonadas. Estes receios, que os acontecimentos recentes vieram legitimar, ganham maior acuidade quando se afigura incontroverso que o envelhecimento da população sacraliza o acesso a mais e melhores serviços de saúde, mormente nas freguesias onde a insípida rede de transportes potencia o abandono e a negligência geracional. Temos de ser claros na resolução - que deve sobrepor-se à lógica extemporânea dos taticismos político-partidários - de que as populações não podem ser abandonadas. A vocação do poder local, pela sua natureza e proximidade, traduz-se no desígnio de que ninguém pode ser deixado para trás. Negar ou trair este ideário seria o equivalente a assumir o papel de COVEIRO dos direitos e interesses básicos de um povo.
Medidas que tardam. Daí que volte a insistir em algumas medidas anteriormente propostas que elevariam, por serem exequíveis, a qualidade dos cuidados de saúde disponibilizados aos albergarienses. Não seria necessário recorrer a projetos megalómanos, com designações pomposas. Tenhamos o pragmatismo da simplicidade. Primeiro, criar um Programa de Apoio à Vacinação Infantil não comparticipada. Segundo, reforçar as medidas de apoio social no âmbito do Cartão Sénior Municipal, nomeadamente com o alargamento da comparticipação municipal nos medicamentos. E isto bastaria para fazer a diferença.
Alunos e Famílias da Escola Secundária penalizados. O Presidente de Câmara, mesmo alertado para a necessidade de as obras de requalificação da Escola Secundária deverem estar concluídas no início de setembro, autorizou a prorrogação do prazo até ao dia 5 de outubro. A edilidade, como dona da obra e responsável pela fiscalização, falhou. Foram semanas em que a atividade letiva saiu gravemente afetada, obrigando professores e alunos a um corrupio de atividades que mais se assemelharam a um campo de férias em pleno arranque de novo ano escolar. Pode até haver quem tenha achado graça ver os jovens pelas artérias da cidade, descortinando a vantagem de ter “animado as ruas”. Mas, para quem sente e sabe que se trata de um período crucial à criação de dinâmicas estruturantes para o sucesso escolar que todos dizem almejar, estas semanas causaram danos que só o futuro desnudará em toda a sua extensão.
Obras que se arrastam. Uma imagem de marca. Aliás, o atual executivo camarário ostenta já um histórico assinalável de obras que se atrasam, de empreitadas invariavelmente prorrogadas. Da informação atualmente disponível sobre o ponto de situação de cada uma delas, constata-se que, das onze referenciadas, oito encontram-se fora de prazo e já com mais de um ano de atraso! Por isso, impõe-se a questão: por que razão se continua a aprovar repetidas prorrogações de prazo das empreitadas que já deveriam ter terminado há mais de um ano?
José Manuel Alho
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