Albergaria. Terá “A Praça” perdido a graça?


Foto retirada daqui

 


Mercado Municipal - os velhos e os novos problemas. O novo mercado municipal, mais do que não ter resolvido problemas antigos, parece ter suscitado novas questões que não terão sido cabalmente ponderadas. Não deixa de ser motivo de perplexidade que parte significativa dos feirantes não caibam – percebemo-lo hoje – n’”A Praça”. O caso ganha contornos de verdadeiro embaraço quando se constata que o mercado se estende para lá do seu perímetro, ocupando, para espanto geral, a Praça Dr. Albuquerque Pinho. Por outro lado, a zona de restauração, em tempo de (previsível) invernia, revela-se profundamente desconfortável e os acessos para entrada e saída de viaturas de mercadorias, além de exíguos, provocam sérios constrangimentos ao trânsito nas vias adjacentes. Afinal, o que falhou? Fizeram mal as projeções? Houve trabalhos que (ainda) não se fizeram? Haverá trabalhos mal feitos?


 


Recorde-se que a inauguração do novo mercado municipal, agora chamado “A Praça”, só aconteceu a 14 de abril passado. Segundo a edilidade, «a obra contemplou um investimento de cerca de um milhão e setecentos mil euros, e teve financiamento dos fundos comunitários, através do Programa Operacional Centro 2020». Luís Tavares Pereira é o autor do projeto de requalificação. Como assinalei neste espaço, para uma obra com um prazo de execução de 365 dias e um contrato escrito de empreitada celebrado a 7 de julho de 2016 (!), afigurou-se credor da maior inquietação o facto de (só) ter sido oficialmente inaugurada em abril de… 2018.


 


Foi por isso que, na altura, ressalvei: «além dos prazos terem sido claramente ultrapassados, ainda teremos de esperar para saber se existirão trabalhos a mais, trabalhos a menos, erros ou omissões porque, em princípio, afigura-se provável que os valores finais possam ser (muito) mais elevados do que os agora revelados.»


De momento, com tudo o que se consegue documentar relativamente ao Mercado, temos cerca de 2,445 M€ despendidos, um valor que até poderá pecar por defeito. Aguardemos pelas contas finais.


 


A questão do estacionamento. Aos novos mercados municipais aplicou-se uma nova estratégia que assenta na fidelização dos cidadãos, através da criação de infraestruturas no centro das cidades, nomeadamente ao nível de estacionamento, ruas pedonais e respetiva dinamização do comércio local. Mantenho que, em Albergaria, a intervenção falhou OSTENSIVAMENTE nos capítulos do estacionamento e do incremento integral e harmonioso do comércio envolvente.


 


Apesar de os mercados terem algumas vantagens competitivas, nomeadamente ao nível da qualidade dos produtos frescos e da relação de proximidade vendedor-consumidor, assoma-se o imperativo de viabilizar outros fatores de atratividade como formas de fidelização do cliente. A saber: o alargamento do horário de funcionamento, o serviço de carrinhos para efetuar as compras no mercado, as entregas ao domicílio, a realização de eventos temáticos para a dinamização do espaço e campanhas de promoção.


 


De momento, e apesar de algumas iniciativas já realizadas no sentido de ali promover alguns eventos culturais - que, no mesmo dia e hora, até se sobrepuseram a outros - o que se tem visto n´”A Praça”, na maioria destes domínios, não é animador. Por isso, importaria saber quantos clientes já conseguiu – ou conseguirá - desviar das superfícies comerciais já existentes em Albergaria. Ou terá “A Praça” perdido a graça?


José Manuel Alho

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