Educação. A fragilização da Escola.


Há duas décadas que o Estado tem optado por sobrecarregar a Escola com toda a sorte de atribuições. Lá no fundo, endossou-lhe os problemas que não sabe ou não quer resolver, sem sequer cuidar de investir em mais e melhores recursos. Esta deriva populista, que traz votos, fragilizou a autoridade dos Professores e desvirtuou a função da Escola.


 


De forma mais ou menos encapotada, está a pedir-se à Escola que substitua a Família. Daí que se tente inculcar a falsa impressão que o sucesso está sempre ao alcance de todos, independentemente do esforço ou compromisso em prol das aprendizagens. A aplicação e a humildade parecem cada vez mais estar em desuso. Atira-se: não se pode dizer NÃO às crianças porque ficariam traumatizadas. As crianças não podem ser retidas porque se afetaria a sua autoestima. A (falta de) educação trazida de casa passou a ter um valor meramente simbólico. Lamentavelmente, assistimos à tentativa, absolutamente perniciosa, de transferir atribuições da Família para a Escola, desresponsabilizando a primeira. Tão assumido desvario trará implicações severas, de que todos padeceremos enquanto sociedade.


 


Esta é uma tendência que ninguém parece capaz de inverter. As reformas e contrarreformas – muitas vezes sem se avaliar o real impacto de mudanças anteriormente implementadas – atestam uma sanha experimentalista, de contornos perniciosos, que em nada tem contribuído para a estabilização de rotinas estruturantes e da necessária previsibilidade de que há muito carece o setor.


 


Com efeito, a Escola portuguesa parece patrocinar, cada vez mais, modelos de baixo perfil (autocráticos e hiperburocráticos), com um modelo de gestão  que, de forma contraproducente, criou e mantém Mega Agrupamentos ingeríveis. Em face deste quadro, onde pontuam a  falta de reconhecimento social e a exaustão, entendo o crescente desencanto de quem se deixou tomar pela desmotivação.


 


A gestão, aliás, parece desenhada para fazer prosperar, salvo honrosas exceções, a lei da selva, tão querida por uns mas tão nociva para a grande maioria. Desde o início, foi tremendamente sintomático que cada professor ou funcionário tenha deixado de corresponder, na hora da eleição de um(a) Diretor(a), a um voto. Na verdade, para gáudio de uma restrita casta, empobreceu-se o princípio fundamental de “um profissional, um voto”. Complementarmente, o Pré-escolar e o 1.º Ciclo saíram ostensivamente menorizados, entregues a uma clamorosa sub-representatividade, que tem ajudado à ascensão de uma cavernosa mediocridade seguidista.


José Manuel Alho

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