Albergaria. Para memória futura.


A respeito do investimento em aquisição de terrenos na Zona Industrial (ZI), a financiar por empréstimo de médio/longo prazo, importa lembrar que a bancada social-democrata na Assembleia Municipal deixou bem claro ser favorável ao investimento na expansão da Zona Industrial, uma área considerada prioritária e estratégica para o desenvolvimento da nossa terra.


 


O problema é que, neste caso concreto, se desconhece a estratégia do Município. Parece até subsistir uma atmosfera de secretismo absolutamente insustentável. E isso impede-nos de formar uma opinião sustentada sobre a matéria. Em bom rigor, estamos perante um avultado investimento que deveria ser enquadrado por um plano estratégico que se percebe agora não existir.


 


E a atestar, a confirmar esta ausência de estratégia de quem está no poder desde 2013, existe um vasto leque de questões que continuam sem resposta cabal do atual executivo camarário. A saber:



  • Qual o plano e a estratégia para a aquisição destes terrenos?

  • Quantos lotes de terreno e áreas por lote irão ficar disponíveis para venda?

  • Qual é a estratégia e o plano de expansão?

  • Além da compra de terrenos, que valor se terá de despender para infraestruturar os eventuais lotes e/ou arruamentos?

  • Qual o plano de investimento global?

  • Que tipo de empresas se poderão instalar nestes terrenos?

  • Existe algum estudo económico que sustente estas aquisições?    


 


Cumulativamente, note-se que, para quem tanto desdenha a herança recebida, nem sequer foi alterado o regulamento de cedência de lotes da Zona Industrial – o que ainda está em vigor foi aprovado em 2003! De resto, houve uma aprovação, em plano, da expansão da ZI, que abrange 18.600 m2 ainda pertença da Câmara Municipal, resultante – atente-se - da compra dos terrenos à Portucel. Por isso, a pergunta que se impõe fazer é: por que razão a Câmara ainda não disponibilizou esses terrenos?


 


Nestas circunstâncias, de ausência de informação esclarecedora, não foi possível aceitar passar um cheque em branco e, por coerência à posição já assumida em reunião de Câmara, onde este assunto também foi apreciado, só restou optar pela abstenção.


 


Na verdade, mais do que sermos favoráveis ao investimento na ZI, defendemos que se afigura premente cuidar das empresas que lá estão. E sobre isso, o que se tem ouvido é…”bola”!


De nada valerá, aliás, espingardar contra a imprensa local pois é “óbvia” a sua missão de, somente, retratar o que viu e ouviu e não o que alguns lhes soprarão ao ouvido.


 


Pelos vistos, há campanhas que não conhecem interrupções e agendas pessoais que nunca esmorecem.


 


É certo que se poderia, num rasgo pouco abonatório para coisa pública, sucumbir à tarimbada - e, ao que parece, há muito testada - sapiência de quem se gabará estar em condições de recomendar as «5 dicas para contares a mentira mais convincente de sempre». Se a nossa têmpera não fosse alérgica a expedientes que ofuscam a nobreza de quem está para somar pela Verdade e pela Honestidade, seríamos lestos a ter um ar sério, a escolher algo que pudesse realmente acontecer, contando mentiras com naturalidade, sem sorrir. Para nos divertirmos.


 


Não. Não somos dessa estirpe nem permitimos que nos confundam com esses despachos. Enganar as pessoas não nos diverte.


 


Para memória futura.


José Manuel Alho

Comentários