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Vivemos tempos interessantes e, à sua maneira, inquietantes. O advento das novas tecnologias da informação e da comunicação desbravou um caminho que, tendo sublimado os benefícios de uma sociedade (presumidamente) mais informada, exponenciou as dúvidas de quem vê, a uma escala planetária, o incremento do uso das redes sociais combinado com o aumento da interação homem-máquina.
De facto, o acesso à informação nunca esteve tão próximo do cidadão anónimo. Nunca experimentámos uma comunicação tão rápida e efetiva como aquela que é proporcionada pelos meios tecnológicos atuais.
Se é certo que é importante manter a ligação ao mundo virtual, não deixa também de ser um imperativo urgente combater a despersonalização das relações humanas pelo que uma animada tertúlia, longe de violar os habituais padrões de privacidade, será sempre insuperável.
Confrontados com um mosaico vincadamente complexo - que ainda não desnudou cabalmente o impacto da tecnologia na sociedade contemporânea, na indústria, nas empresas e nas organizações - cumpre, mais do que nunca, investir na formação dos cidadãos por forma a saberem adequar comportamentos e atitudes que ajudem à consolidação de uma sociedade genuinamente plural, humanista e tolerante.
A generalização de novas aplicações, de novas abordagens e de novas formas de atuar trouxe outros paradigmas e demandas aos universos económico, técnico, social e político, que, por ora, não terão merecido uma resposta integrada e proporcionada. A gestão do risco, nesta arena digital, onde o ciberespaço parece não conhecer fronteiras, assoma-se como o desígnio porventura mais exigente que hoje se coloca ao utilizador, ao legislador, ao investigador ou ao decisor.
Confinando-me à temática das redes sociais, um dos acontecimentos mais impactantes desde a revolução industrial, importa reconhecer que vieram, à semelhança de outros ensaios historicamente documentados, (tentar) dar resposta a uma das necessidades mais primitivas do ser humano: a da socialização. No caso concreto do Facebook, sabe-se agora que, se fosse um país, seria o segundo maior em densidade populacional, ficando entre a China e a India, com quase 1,5 bilião de utilizadores ativos.
Em consequência, as relações humanas enfrentam hoje intensas metamorfoses, assentes, principalmente, no encurtamento de distâncias e na redução do tempo, evidências que logram precipitar reações e decisões. A repercussão no consumo é incontroversa. As dinâmicas provocadas pela troca de informação mudaram a forma de como as pessoas e as empresas se relacionam, fomentando a conceção de novos produtos, a difusão de novas necessidades de consumo e a propagação de novos comportamentos.
Como em tudo na vida, o recurso desregrado às redes sociais, ainda que socialmente aceite, pode ser nocivo para o indivíduo ao ponto de ser fator de ansiedade e até de dependência. O melhor da vida não acontece nas redes sociais e o pior de nós está longe de merecer o “like” de multidões voyeuristas.
Se é certo que é importante manter a ligação ao mundo virtual, não deixa também de ser um imperativo urgente combater a despersonalização das relações humanas pelo que uma animada tertúlia, sempre acutilante e participada, longe de violar os habituais padrões de privacidade, será sempre insuperável.
José Manuel Alho
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