Albergaria. Balanço & Contas.


Eleições Europeias – o desinteresse. Em bom rigor, votaram mais pessoas por comparação ao sufrágio de 2014. No entanto, em 2019, com o recenseamento automático, aumentou o total de emigrantes eleitores de 245 mil para 1,432 milhões, evidência que potenciou as cifras registadas no passado dia 26 de maio. Ainda assim, cumpre reconhecer que o desinteresse da esmagadora maioria dos portugueses resultará da forma como o chamado “projeto europeu” se revelou em tempos de crise. A União Europeia (UE) pareceu sempre dividida, acantonada em blocos que contribuíram para a cristalização de velhas assimetrias, acentuando fossos que (hoje) viraram terreno fértil para os populistas.


 


Nesta UE - que castigou, perseguiu e puniu – assomou-se a ausência daquela solidariedade que, em tempos, agregou e animou milhões em busca de um cometimento que significasse paz, prosperidade e mais democracia. Impreparado, o velho continente voltou a desiludir as pessoas, mormente as classes médias, indignadas com as consecutivas doses de austeridade infligidas para resgatar, essencialmente, uma banca negligente e sôfrega. Em muitas ocasiões, faltou dó e piedade. Nestas circunstâncias, só restou às pessoas afastarem-se.


 


Campanha tradicional. As campanhas eleitorais têm de ser repensadas. A fórmula está esgotada. As arruadas intrusivas, os jantares arregimentados ou os comícios encenados deixaram de acrescentar, de mobilizar ou até de convencer. Avizinham-se tempos desafiantes, que exigirão criatividade e coragem. Porque esta campanha, na forma e no conteúdo, teve momentos que roçaram a indigência, urge optar pela proximidade que cativa, pela informalidade que desmistifica e pela tolerância que faz pedagogia.


 


Os resultados por cá. Em Albergaria, a abstenção manteve-se alta. Contudo, registou uma ligeira diminuição se comparada com a alcançada em 2014 (de 69,38% para 68,55%). O PSD venceu com 27,85% dos votos, contra os 26,53% do PS. Surpreendentemente, o CDS, com 15,21%, passou para terceira força politica, representando menos do dobro do que o Bloco de Esquerda, que atingiu 8,03%.


Nas freguesias, o PSD ganhou em Albergaria e Valmaior, Branca, São João de Loure e Frossos. Em Angeja e Alquerubim o vencedor foi o PS. Na Ribeira de Fraguas, empate entre o PSD e o PS, com o CDS a ficar em 3º lugar. Na freguesia da Branca, o PSD ganhou em todas as mesas, atingindo quase o dobro dos votos do CDS. O PS ficou em 2º lugar. O CDS não ganhou em nenhuma mesa do Concelho.


 


O triunfo de quem não teve medo de sair à rua, de dar a cara para informar e esclarecer as pessoas.


 


NOTA FINAL – João Castro. Demasiado injusto. Estupidamente cedo. Conhecemo-nos por ocasião das eleições autárquicas de 2017. Era o nosso candidato por Ribeira de Fráguas. De trato fácil, com um sorriso tranquilo, partilhámos as incidências de um processo que logrou juntar gente boa e disponível para servir a comunidade. Gente boa e solidária como o João. Fica a saudade e o vazio.


José Manuel Alho

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