Albergaria. Dos factos às tendências.


Marcelo, o eucalipto. Dando de barato que, na comparação com o seu antecessor, Marcelo Rebelo de Sousa sai claramente a ganhar, não escondo o incómodo com que, desde há algum tempo, passei a olhar a exposição a que, por opção ou defeito, se sujeita. Não aprecio a leveza com que se presta a certos números nem a inquietude que imprime a momentos naturalmente solenes. Além do mais, parece não conseguir resistir à tentação de emitir opinião sobre qualquer assunto ou incidência que nem o largo filtro da opinião pública valoriza. De resto, lamento constatar que tão intrusivo desempenho, sempre na lógica de um comentador que (não por caso) é Presidente, tem entorpecido a arena política, globalmente anestesiada pela atual solução de governo, ao ponto de este PR estar para a oposição como a monocultura do eucalipto para a floresta. Um arranjo momentâneo que apenas subsistirá até que uma das partes se liberte do apertado escopo da reeleição.


 


Já se conhece o Relatório de Gestão e Demonstrações Financeiras Consolidadas da nossa edilidade relativas ao ano de 2018. Ressaltam, pela sua dimensão e significado, duas evidências que importa observar criticamente:



  1. Aumento da dívida total do Município


A dívida total do Município, no período em apreço, 2016 a 2018, aumentou em 20% o seu valor (986.286,64 €).



  1. Índice de Liquidez Imediata


O Índice de Liquidez Imediata, no período de 2016 a 2018, diminuiu de 215,2 % para 135,4 %, ou seja, uma redução de 79,8 %! Consequentemente, verifica-se a redução de disponibilidades financeiras municipais para satisfazer as dívidas a curto prazo.


 


As contas poderão assim antecipar a grande dificuldade que o Município terá de satisfazer as suas dívidas a curto prazo e, consideradas as dificuldades já latentes, ainda teremos de incluir a dívida  autorizada, nomeadamente a que transita de 2018, no valor aproximado de 221.319,99€ (1.459.586,00 € - 1.238.266,01 € = 221.319,99 €). Cumulativamente, teremos que juntar a autorização no valor aproximado de 1.400.000,00 €, concedida em reunião de Câmara já ocorrida neste ano de 2019, ou seja, um aumento suplementar de dívida de, pelo menos, 1.621.319,99 €.


Face a estes novos dados - e num cenário previsível de subida futura da taxa de juros - a capacidade do Município de satisfazer as suas dívidas e compromissos reduzir-se-á substancialmente. 


José Manuel Alho

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