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Incêndios. Voltámos a ser chicoteados pelas chamas. Com inusitada frequência, o nosso concelho acaba severamente fustigado pelos fogos florestais. Em consequência, assoma-se a interrogação: estaremos perante uma inevitabilidade? Albergaria terá mesmo de se vergar à mórbida convivência com os incêndios?
Não ignorando a perversa influência da ação criminosa, que cabe às autoridades judiciais investigar e punir, há riscos e circunstâncias que podem (e devem!) ser minorados. Desgraçadamente, continuamos a dar grande realce aos meios de intervenção de grande escala como autotanques de grande capacidade e hidroaviões, negligenciando a fase da prevenção e da rápida intervenção. Defendo que os equipamentos de combate aos incêndios deverão ser o último recurso, a acionar somente quando a prevenção e as equipas de primeira intervenção fracassarem na sua missão. Se esta lógica não prevalecer, Albergaria continuará a assistir a grandes catástrofes florestais.
Apesar de alguns progressos, mantém-se a exigência de maior e de melhor articulação entre todas as autoridades que interagem na regulação deste setor específico. A Câmara Municipal deveria ser (muito mais) assertiva na definição de orientações para a proteção e promoção da área florestal do concelho, avaliando, em permanência, a nossa vulnerabilidade aos incêndios florestais e monitorizando, eficazmente, a implementação de medidas e ações de curto, médio e longo prazo.
Também aqui urge recuperar o gasto mas sábio chavão: AGIR em vez de REagir.
Sabe-se há muito que os incêndios serão o fator de maior perda de valor da floresta em razão quer do risco que introduzem no investimento, quer da degradação ambiental que impõem, mormente na deterioração da qualidade dos nossos ecossistemas. Ainda que nem sempre materializada com a desejada competência, a importância atribuída à avaliação de riscos de fogos florestais tem, por isso, vindo a aumentar. Contudo, a falta de estratégia e de investimento na dinamização e valorização do espaço rural estimulou a propensão para a desertificação, originando precariedades várias. Complementarmente, verifica-se a diminuição da atividade agrícola, e da mão-de-obra rural, a divisão das propriedades em pequenas parcelas, com a correspondente pluralidade de donos e o abandono de propriedades, que potenciam toda a sorte de perigos.
Por tudo isto, a preservação e a valorização do território rural e florestal deveriam ser, para o nosso Município, desígnios impenhoráveis em favor da defesa da floresta contra os fogos.
Feriado Municipal. Persisto em abordar este assunto porque (ainda) não foi em 2019 que o feriado municipal mereceu uma programação condigna, que assinalasse o dia a nível local e regional. Conhecida como a «Segunda-feira da Senhora do Socorro», pelo facto de, nesse dia, as famílias rumarem ao Bico do Monte com as tradicionais merendas para celebrar a festa à Nossa Senhora, a data parece agora nada dizer à maioria dos albergarienses. Está desvalorizada. O facto de ser em agosto não pode justificar tamanha omissão. A bem da memória histórica, cumpriria exaltar tão relevante dia para difundir o melhor que Albergaria tem e pode oferecer. Infelizmente, e à semelhança do que há anos acontece nos meses de julho e agosto, reitero que a programação inexiste ou é manifestamente insuficiente. Conhecer o nosso passado e valorizar a nossa História são atributos dos que sentem a terra. Um nobre propósito que merece investimento.
José Manuel Alho
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