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Com a autoridade de quem ousou conceder o benefício da dúvida ao novo Ministro da Educação, sinto-me particularmente à vontade para, agora - e depois da sua entrevista ao "Expresso" - confessar a minha profunda desilusão e antecipar, com fundamento, quatro anos de acentuada degradação do setor.
A entrevista rebenta com a mais ténue esperança de regeneração da política educativa seguida desde Maria de Lurdes Rodrigues. É, genuinamente, desastrosa, mas reveladora.
A entrevista não é uma infelicidade. É uma escolha. É a reafirmação do caminho que nos conduziu à situação presente. E é nessa medida que, todos, se devem preparar para o pior.
Desde as toscas tentativas de torturar os factos, assomou-se o intolerável atrevimento de, uma vez mais, atacar os professores, principalmente, quando afirmou "os professores foram formados para dar aulas só a bons alunos" (sic). Tal conclusão, além de falha de prova, só pode resultar - numa abordagem bondosa - de um entendimento de bolha, que apenas subsistirá à margem da realidade da escola pública portuguesa.
Imagine-se a Ministra da Saúde vir a terreiro assegurar que "os médicos foram formados para tratarem só de pessoas saudáveis"?!
De resto, a integralidade da entrevista já foi suficientemente analisada pelo que se afigura desnecessário novas apreciações.
No mais, fica a convicção de que não haverá vontade para atacar a falta de atratividade da carreira docente, consubstanciada nos garrotes à progressão e no apagamento de mais de 6 anos de serviço efetivamente prestado. Entre apelos à resignação e a propositura de atalhos para suprir a crise de profissionais legalmente habilitados para a docência, sobra a impressão de que não haverá horizonte de esperança para os professores portugueses.
A entrevista não é uma infelicidade. É uma escolha. É a reafirmação do caminho que nos conduziu à situação presente. E é nessa medida que, todos, se devem preparar para o pior.
Imagem Freepik
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Comentários
Certíssimo! Nada que não soubessemos já, atendendo aos extensos anos de prática ali pela 24 Julho e ao excelente curriculo nos escuteiros Mirins, lobitos e similares. Vamos assim ter apenas mais do mesmo. Resolução séria dos problemas? Tirem o cavalinho da chuva, caros(as) colegas.
ResponderEliminarEstou na profissão por vocação e teria entrado em praticamente em qualquer um dos cursos universitários da primeira vez que concorri. Já tive orgulho em ser professor, mas desde há alguns anos deixei de sentir orgulho na profissão e agradeço esse facto à Lurdinhas e outros exemplares. O atual ministro da educação deu-me formação em Aveiro num encontro do PNEP sobre a TLBS (Terminologia Linguística do Ensino Basico e Secundário) e fiquei com boa impressão dele relativamente aos seus conhecimentos na área, mas como ministro da educação está a desiludir-me. Sou um dos poucos que ainda gosta de dar aulas, mas parece que o objetivo de alguns ministros e pseudopedagogos é acabar com os docentes que ainda gostam da profissão. Veja-se o caso do projeto MAIA que esmaga os professores em grelhas e burocracias. O que vale é que os encarregados de educação valorizam muito o meu desempenho.
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