Ensino | pensamentos e reflexões sobre Avaliação (IV)


Padronização/Flexibilidade


É possível a mudança na avaliação pedagógica? Como fazê-la acontecer?


Atenta a reflexão inserta no capítulo 9, da obra originalmente publicada sob o título L'évaluation des élèves. De la fabrication de l'excellence à la régulation des apprentissages[1] (Perrenoud, 1998), importa observar criticamente as considerações e as provocações que nele se conjugam para, no essencial, aceitar os reptos que ajudem a uma mudança na avaliação pedagógica, assentes em dois eixos orientadores:



  • evolução das práticas no sentido de uma avaliação que ajude o aluno a aprender e o professor a ensinar;

  • priorização da avaliação formativa, que ofereça percursos individualizados bem como intervenções e enquadramentos pedagógicos diferenciados.


Daí que, para o autor, a Avaliação ocupe a posição central de um octógono, com oito dimensões inter-relacionadas, no sentido dos ponteiros de um relógio:



  1. Relação entre as famílias e a Escola;

  2. Organização das turmas e possibilidades de individualização;

  3. Didática e métodos de ensino;

  4. Contrato didático, relação pedagógica e ofício de aluno;

  5. Acordo, controle, política institucional;

  6. Programas, objetivos, exigências;

  7. Sistema de seleção e de orientação;

  8. Satisfações pessoais e profissionais?


Decorre deste postulado o imperativo de viabilizar uma abordagem sistémica, que considere e salvaguarde a complexidade da Escola, em detrimento de mudanças rápidas, simplistas e lomitadas.


Como fazê-lo?


Fomentando o progresso das organizações, dos professores e das suas práticas. Um caminho longo e exigente, que desafia o conformismo e nos exorta a sair das tradicionais zonas de conforto, cristalizadas por décadas de uma autoridade imposta que, mais do que nunca, cumpre ser reconhecida. Assoma-se, aliás, a premência de um contrato didático menos conflitual.


A autonomia, a responsabilidade, a cooperação, a profissionalização, devem ser harmoniosamente compatibilizadas para favorecerem a inovação, ainda que possam não ser, no curto prazo, especialmente sedutoras e, por isso, particularmente mobilizadoras.


Imagem Freepik


[1] Disponível em: https://www.unige.ch/fapse/SSE/teachers/perrenoud/php_main/OUVRAGES/Perrenoud_1998_A.html


 

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