3 - Olhares Sobre a Supervisão Pedagógica no âmbito da ADD.

3.jpg


Imagem Freepik | meramente ilustrativa


VI - As práticas da supervisão pedagógica para supervisionados posicionados em diferentes estádios na carreira e as estratégias desenvolvimentistas.


Com base na minha observação e experiência no terreno, entendo que as práticas da supervisão pedagógica deverão ser diferenciadas. Deverão incidir diversamente, consoante a autonomia e a evolução de cada profissional.


Reitero a conclusão de Ricardo, L., Henriques, S., & Seabra, F. (2012, p. 105), quando, com singular precisão, frisam:



“Depreende-se que a supervisão pedagógica proporciona aos professores desenvolvimento, partilha de conhecimentos e dúvidas, democraticidade, reflexão, investigação, aprendizagem, formação, aceitação da mudança, em suma, melhorias na prática docente. Duma forma geral, entende-se a supervisão pedagógica como um processo de partilha entre o supervisor e o supervisionado no sentido de melhorarem os seus próprios desenvolvimentos (pessoal e profissional) e consequentemente a qualidade da escola. Assim, a supervisão obriga o supervisor e o supervisionado a uma relação de cumplicidade através de estratégias próximas do coaching procurando-se que o supervisionado consiga trilhar posteriormente o seu próprio caminho de desenvolvimento.”



As estratégias desenvolvimentistas, além de viabilizarem uma “abordagem dialógica” (Alarcão, 2008, p.31), tenderão a elevar as práticas de supervisão pedagógica a outros contextos, que não se confinam à sala de aula, mas que se integrarão no contexto mais amplo e enriquecedor da Escola.


Encerro com algo que acomodei como desígnio maior quando, na decorrência da minha pesquisa pessoal e prática profissional, decidi subscrever Ricardo (2016, p. 227) por defender que “o processo da ADD tem de ser transparente, bem explícito e não enfatizar o indivíduo em detrimento da equipa/grupo”, ainda que decorra sob condições contraditórias, que, só por si, deveriam instar o poder político a repensar o modelo que decidiu replicar para os professores portugueses. Impõe-se um sobressalto de consciência, que garanta o respeito pela dignidade e pela saúde de tantos profissionais altamente qualificados.


 


Bibliografia


Decreto Regulamentar n.º 26/2012, de 21 de fevereiro – estabelece um novo regime de avaliação do desempenho docente e revoga o Decreto Regulamentar n.º 2/2010, de 23 de Junho.


Ricardo, L. (2016). O Líder e a Liderança. Lisboa: Chiado Editora.


Ricardo, L. (2017) “Os líderes intermédios da escola no papel de avaliadores do desempenho docente”, In Grave, L.; Oliveira, I; Bastos, G. (Orgs.) Lideranças e Inovação em Contextos Educativos: Lisboa - eBook.


Ricardo, L., Henriques, S., & Seabra, F. (2012). Supervisão Pedagógica: teoria e prática. In R. Cadima, I. Pereira, H. Menino, I. S. Dias & H. Pinto (Orgs.). Investigação, Práticas e Contextos em Educação (pp.101-108). Leiria: ESECS – Instituto Politécnico de Leiria, ESECS, Conferência Internacional.


Vasconcelos, T. (2007). Supervisão como um “TEAR”: Estratégias emergentes de “andaimação” definidas por supervisoras e supervisionadas. Revista de Educação, v.15, n.º 2, 2007, 5-26.


Vieira, F., & Moreira, M. (2011). Supervisão e Avaliação de Desempenho Docente – Para uma abordagem de orientação transformadora. Lisboa: Ministério da Educação – Conselho Científico para Avaliação de Professores.

Comentários