Meta, Elon Musk e o controlo digital: quem sai a ganhar?

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Imagem retirada daqui


Meta troca verificadores de factos


por notas da comunidade.


Que efeitos vai ter no Facebook e Instagram?


 


Na sequência desta notícia, parece que Mark Zuckerberg terá aprendido (ou não) uma lição fundamental: quando a corda aperta, é melhor deixar que os próprios utilizadores desenrolem o nó. A substituição do programa de verificação de factos por um sistema de "notas da comunidade" assemelha-se a uma tentativa, pouco discreta, de lavar as mãos das controvérsias em torno da censura e da moderação excessiva. A inspiração vinda do modelo do X (antigo Twitter) de Elon Musk, um espaço frequentemente acusado de fomentar polarização através de dicotomias simplistas, levanta mais dúvidas do que certezas. Atentemos:


Moderação pela comunidade: Democracia ou caos?


O conceito de deixar os utilizadores decidirem o que é "contexto útil" pode parecer democrático, mas será eficaz? A verdade é que a velocidade com que a desinformação se espalha nas redes sociais é brutal, e o sistema de "notas da comunidade" arrisca ser demasiado lento. Quando as notas chegam, o estrago pode já estar feito.


Além disso, acreditar que pessoas, com visões extremadas, irão colaborar em nome da verdade comum é, no mínimo, utópico. Num cenário político e social tão dividido, onde até factos científicos se tornam reféns de ideologias, é de prever que a "moderação da comunidade" crie mais ruído do que soluções fiáveis.


De censura excessiva à falta de controlo


A Meta, ao reconhecer os erros do passado – incluindo o excesso de zelo na moderação durante a pandemia – parece agora pender para o outro extremo: um sistema em que os utilizadores ditam as regras. É um salto perigoso. Retirar o controlo centralizado pode reduzir erros, mas também abre espaço para a proliferação de conteúdo prejudicial antes que qualquer "nota" consiga equilibrar a balança.


Se por um lado é compreensível a frustração dos utilizadores com a censura injusta (a famosa "prisão do Facebook"), por outro, delegar a responsabilidade de moderação a uma comunidade amplamente anónima e sem formação específica é, no mínimo, arriscado.


Uma estratégia de marketing ou real mudança?


É inevitável questionar o timing desta decisão, especialmente à luz das eleições presidenciais nos EUA e da necessidade de atrair utilizadores descontentes com outras plataformas. Será esta mudança uma jogada para reconquistar confiança e atrair tráfego, ou um verdadeiro esforço para combater a desinformação?


A Meta – tal como o X – não está a abdicar do poder, apenas a reformulá-lo sob o manto da "transparência" e da "participação comunitária". No entanto, a eficácia deste modelo dependerá de como (e se) a empresa conseguirá evitar a manipulação e o enviesamento nas "notas da comunidade".


Entre dois erros


Em conclusão, passar de um sistema centralizado e autoritário para um modelo caótico e sujeito a falhas humanas, não resolve o problema da desinformação, apenas troca um conjunto de problemas por outro. No fim, o grande vencedor parece ser a Meta, que lava as mãos de acusações de censura e deixa a responsabilidade na comunidade, enquanto mantém os lucros.


Será que os utilizadores – e a democracia digital – ganharão alguma coisa com esta transição de modelos? Só o tempo dirá. Até lá, Zuckerberg continuará a jogar o velho jogo de mover peças no tabuleiro para evitar ser (ele) o rei derrubado.

Comentários

  1. Já se percebeu que - no momento actual - os estragos à liberdade que as redes sociais, são maiores que os beneficios. O que me parece é que à medida que nos vamos tornando fundamentalistas na defesa do planeta e da vida animal, estamos a dar liberdade total a tudo o que nos pode destruir mais rápido do que as alterações cilmáticas.
    Mas isto é um já velho, Velho do Restelo, a divagar.

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  2. Acho que no final é um ganho global que essas alterações vão permitir.
    Não entendo que como a proibição ou censura como a que existe em países não democráticos pode ser uma coisa boa para ser aplicada em plataformas globais.

    E em relação aos verificadores de factos, são muito maus, pois quando temos um evento á escala global e o verificador de factos de cada pais avalia de forma diferente o sucedido o que nunca deveria de suceder. O que então temos ou é uma avaliação politica da situação ou então uma avaliação pessoal (do avaliador faz a sua avaliação).
    E se é para ser assim então o melhor é ter as pessoas a fazer essa mesma avaliação, e que no final saia um resultado "tipo referendo" em que ganha o que tiver mais votos.

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