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"É talvez o último dia da minha vida.
Saudei o sol, levantando a mão direita,
Mas não o saudei, dizendo-lhe adeus,
Fiz antes sinal de gostar de o ver: mais nada."
Alberto Caeiro
Trabalhar sempre com seriedade. A coragem de ter posto o nome e o rosto onde era mais fácil baixar os olhos e dizer que sim com a cabeça. O mérito de ter ajudado a formar gerações, mesmo que alguns não se lembrem. A rebeldia de ter sido uma voz num tempo de silêncios, luz num tempo de sombras partidárias. E isso, mesmo que não renda aplausos, vale mais do que mil louvores dados por conveniência.
Porventura, não será apenas o cansaço físico aquilo que se sente: muito provavelmente, será o cansaço da alma, que resulta de lutar contra paredes de indiferença, de mediocridade e de ingratidão. E esse cansaço, sabemo-lo, não se resolve com férias.
Há fases que parecem findar. Não porque fracassámos, mas porque já demos tudo o que tínhamos para dar naquele palco. E o que nos passa a faltar não é competência. É sentido.
Na verdade, o valor não se perde. Estará apenas encoberto por um nevoeiro de cansaço. Mas, como cedo descobri por entre os campos e serranias cá da terra, o nevoeiro não dura sempre. E, quando levanta, voltamos a ver onde estamos. E para onde podemos ir.
Estamos vivos. Logo, (ainda) há caminho.
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