Floresbelas, almas inquietas: o eco da (nossa) sede de infinito

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Ao deparar-me com estas palavras cruas e tão minhas de Florbela Espanca, sinto um eco profundo da minha própria alma. "O meu mundo não é como o dos outros, quero demais, exijo demais", e aqui, nesta frase, encontro um reflexo da minha inquietude, da minha busca incessante por algo mais, por um sentido que, por vezes, me foge.


Sim, há em mim uma sede de infinito, uma urgência de viver e sentir com intensidade, que me leva a abraçar causas, a lutar por ideais e a questionar o estabelecido. Essa "angústia constante" que Florbela tão bem descreve, sei lá de quê, é a mesma que me impele a não aceitar o cómodo, a procurar a verdade, mesmo que mordaz, e a desassossegar-me perante a mediocridade.


Não sou uma pessoa morna, a minha alma, tal como a dela, será intensa, por vezes violenta na sua paixão pelo que acredito. A vida em Campinho, as origens humildes, moldaram esta forma de ser, de não me sentir totalmente onde estou, de ter uma saudade de algo que talvez ainda não tenha alcançado.

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