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Há uma noite em que o tempo abranda.
E o mundo, cansado de tanto ruído, se recolhe em si mesmo.
É a noite de Natal. Não importa o frio, nem as ausências, nem o tamanho da mesa. Importa o gesto de acender uma luz, ainda que pequena, no meio da escuridão.
O Natal não vive nas vitrinas, vive no instante em que o coração abranda, no sorriso que se oferece sem esperar retorno, na mão que se estende por pura gratidão.
Talvez seja esse o milagre que regressa todos os anos: lembrar-nos de quem fomos. E de quem ainda podemos ser.
Quando o relógio marca o sossego e o vento leva o som distante dos sinos, algo em nós desperta. A esperança volta a ter morada.
E enquanto o mundo dorme, a alma, sem pedir licença, volta a acreditar.
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