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Olho para a imagem e não consigo evitar o desassossego: a compaixão é posta à venda, de mão em mão, enquanto o sistema que fabrica pobreza permanece intacto e opulento.
“Superar a pobreza não é um gesto de caridade, é um ato de justiça”, lembra Nelson Mandela, chamado à lucidez dos justos.
Somos peritos em aliviar culpas, esquecendo que, protegidos pelos nossos muros de conforto, a desigualdade cresce como erva daninha. George Orwell, sarcástico como poucos, avisava: “Somos todos iguais, mas alguns são mais iguais que outros”. E Plutarco não nos perdoa: “Um desequilíbrio entre ricos e pobres é a doença mais antiga e mais fatal de todas as repúblicas”.
Do alto da minha pequena varanda existencial, resta-me perguntar: até quando trocar moedas para que tudo continue igual?
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