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Nem todos os milagres exigem procissão, basta um anúncio no correio da vizinhança.
Eis a genialidade urbana: de um lado, um trombone implora por novo dono; do outro, alguém agradece a Deus com convicção quase litúrgica. Cá entre nós, partilho o sonho de tanta gente, que enfrenta trombones (e outros ruídos) como penitência diária.
A civilização avança, mas o entusiasmo por silêncios prolongados nunca sai de moda. Eu próprio, confesso, aplaudiria este “milagre acústico” se, um dia, algumas ruidosas invenções resolvessem mudar de morada...
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Comentários
Um magnífico retrato de fé quotidiana — em que o milagre não desce dos céus, mas muda de porta.
ResponderEliminarTalvez a modernidade seja aprender a reconhecer graças concedidas com ironia q.b.
E sim, há orações que se dirão em silêncio... sobretudo depois de o trombone apanhar o autocarro.