Quando o gato vigia o labirinto: inteligência, poder e o ciclo dos ratos

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A velha máxima de Philip Chesterfield reflete-se nesta imagem desconcertante: “Sê mais esperto do que os outros, se puderes, mas não lhes digas isso.” O gato, sentado no comando de vigiar ratos que nunca aparecem, ilustra o triunfo silencioso da esperteza convertida em vigilância e controle.


No teatro social, quantos vigiam, quantos se deixam vigiar? Quantos perpetuam o jogo porque o poder está no olhar e não na ação?


A ratoeira social pouco mudou desde Orwell: “Em tempos de engano universal, dizer a verdade é um ato revolucionário.” O poder observa, regula, espera - pronto para agir quando for estratégico. E como diria Bertolt Brecht, “infeliz do país que precisa de heróis”, ou de gatos inteligentes que anunciem a soberania perante um grupo de ratos distraídos.


Neste palco contemporâneo, instituições e elites aprendem a manter a ilusão do controlo, enquanto os ratos e suas tocas perpetuam rotinas seguras: pobreza e desigualdade mascaradas de normalidade, sob o olhar atento dos novos gatos do sistema.


A sociedade, afinal, continua a ser um conjunto de tocas, vigiadas e controladas por quem domina o comando da narrativa.


Estar atento, pensar dois passos à frente, pode ser um ato de sobrevivência. Mas convém lembrar, como sugeria Chesterfield, que a verdadeira astúcia talvez seja o silêncio do gato que observa, mas não revela os seus planos...

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