Azulejos roubados: cúmplices de um património em perigo

1.jpg


cartaz © Rosa Pomar


Portugal é terra de azulejos, testemunhas silenciosas da história e da identidade, artistas do quotidiano que revestem muros, igrejas e casas com cor e memória. Mas a azulejaria, esse legado que atravessa séculos - da influência mourisca à criatividade barroca e modernista - está sob ameaça.


O roubo de azulejos multiplicou-se, alimentando um mercado negro de compra e venda em feiras ou antiquários, que transforma peças únicas de património em mercadoria fácil, arrancada a golpes de cinzel de fachadas que se esvaziam de sentido.


Ademais, quem compra, mesmo por desconhecimento, torna-se cúmplice na erosão da arte pública e na dilapidação de raízes profundas. Os azulejos não são apenas decoração: guardam histórias, mestres, técnicas e a alma de cidades inteiras. Cada peça furtada é mais do que um crime, é uma ferida aberta na nossa memória colectiva.


Preservar a azulejaria portuguesa é garantir que a arte não se venda pelo preço da desresponsabilização.


 

Comentários